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Wall Street continua a registar recordes, mas bolsas mundiais fecharam no vermelho

Os índices Dow Jones 30 e S&P 500 fixam máximos históricos há três sessões consecutivas, mas o movimento altista em Nova Iorque perdeu gás e o índice mundial caiu 0,19% na quarta-feira. Bolsas europeias foram as que registaram ontem maiores perdas

Jorge Nascimento Rodrigues

Wall Street há três sessões consecutivas que regista recordes históricos nos seus dois índices mais famosos, o Dow Jones 30 e o Standard & Poor’s 500.

Os analistas financeiros falam de ‘exuberância’ bolsista em Nova Iorque alimentada pela promessa do presidente eleito Donald Trump de avançar nos primeiros 100 dias com desregulação financeira e no sector da energia e da quase certeza que a Reserva Federal, o banco central, irá proceder a uma subida do intervalo das taxas de juro para 0,5% a 0,75% na próxima reunião em dezembro.

O índice MSCI para o conjunto das bolsas de Nova Iorque está em terreno positivo há três sessões, mas perdeu gás: subiu 0,75% na segunda-feira, 0,21% na terça e apenas 0,08% na quarta-feira. O índice Nasdaq – da bolsa das tecnológicas – fechou no vermelho esta quarta-feira, depois de registar um novo máximo histórico de 5385,35 pontos na terça-feira. O pico anterior, ligeiramente acima de 5000 pontos, marcou o auge da bolha das dot-com em março de 2000 e foi ultrapassado em 2016 a 18 de julho.

À escala mundial, as bolsas entraram em terreno negativo esta quarta-feira, depois de uma subida de 0,73% na segunda-feira e de 0,26% na terça. O índice global MSCI fechou na quarta-feira a recuar 0,19%. Na semana passada, caiu 0,54% na sexta-feira e registou uma ligeira quebra semanal de 0,02%.

Pior desempenho na Europa

O pior desempenho esta quarta-feira registou-se na Europa. O índice MSCI para a Europa que abrange as bolsas de 15 países e 446 cotadas caiu 0,6% na quarta-feira. Apenas escaparam à vaga vermelha, os índices MIB de Milão e SMI de Zurique. O PSI 20, na bolsa de Lisboa, recuou 0,33%.

Os 23 mercados emergentes (que incluem na Europa, Grécia, Hungria, Polónia e República Checa) fecharam, também, no vermelho, com o índice MSCI respetivo a recuar 0,18%, depois de ter ganho 0,34% na segunda-feira e 1,19% na terça.

Os mercados da Ásia Pacífico registaram na quarta-feira uma queda de 0,3%, com a bolsa de Tóquio fechada por ser feriado no Japão.

Esta quinta-feira as bolsas de Nova Iorque estão fechadas em virtude de ser o feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos.

Quatro riscos globais, apesar da exuberância

Apesar da ‘exuberância’ que tem galvanizado Wall Street desde a vitória de Trump, o índice mundial MSCI ganhou apenas 0,4% desde 8 de novembro, data das eleições presidenciais norte-americanas.

Os mercados financeiros, recordou, esta semana, a Société Génerale, enfrentam quatro riscos: a probabilidade, sempre recordada pelos analistas, de uma aterragem forçada na China, a segunda maior economia do mundo que está a gerir uma desaceleração gradual; a irrupção de potenciais guerras comerciais se as promessas de Trump em mexer nos grandes acordos comerciais existentes e em avançar com uma política protecionista se concretizarem; a subida das taxas de juro da dívida soberana, o que vai encarecer o financiamento do endividamento público e privado; e a incerteza política, desde logo sobre a atuação da futura Administração Trump nos EUA a partir de 20 de janeiro do próximo ano e a concentração de diversos eventos de risco sucessivos na Europa, a começar pelo referendo constitucional em Itália já a 4 de dezembro.

À incerteza política na Europa junta-se a divergência acentuada entre uma política monetária expansionista do Banco Central Europeu (BCE) claramente 'sobrecarregada' e a resistência alemã a um impulso orçamental na zona euro (como pretende a Comissão Europeia para 2017) que se associe à intenção britânica de uma política orçamental expansionista no Reino Unido em ano de negociação do Brexit. Os analistas começam a considerar a possibilidade de um aumento das taxas de juro do BCE em 2018. A situação será preocupante se a esse encarecimento do financiamento dos bancos se juntar a continuação de uma trajetória de consolidação orçamental na zona euro.