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Carris divulga contas de 2015: prejuízos de €21 milhões, menos 639 trabalhadores em cinco anos e o imbróglio dos swaps

Tiago Miranda

A empresa de transportes públicos urbanos que o Governo quer transferir para a Câmara de Lisboa em janeiro de 2017 só emprega 1995 trabalhadores, um dos níveis mais baixos de sempre

A Carris acabou de colocar o relatório e contas de 2015 no seu site - apesar de ainda não terem sido aprovadas em assembleia geral -, onde apresenta resultados líquidos negativos de 21,215 milhões de euros, que comparam com prejuízos de 59,63 milhões de euros registados em 2014. O mesmo documento diz que a Carris, entre 2011 e 2015, reduziu o quadro de trabalhadores para 1995 efetivos, concretizando 639 saídas, o que corresponde a uma redução de gastos com pessoal da ordem dos 25,7 milhões de euros.

O relatório e contas de 2015 da Carris - que ainda tem de ser aprovado pela assembleia geral da empresa no próximo mês de dezembro -, revela que durante o ano passado foi concretizada a saída de 146 trabalhadores, passando de um efetivo geral de 2141 trabalhadores no final de 2014 para 1995 trabalhadores a 31 de dezembro de 2015.

"A redução de 146 colaboradores correspondeu a uma poupança anual de aproximadamente 1,5 milhões de euros em remunerações e respetivos encargos", refere o documento.

Em 2015, a Carris procedeu a aumentos de capital por dotação no montante de 115,98 milhões de euros, mantendo financiamentos concedidos pela Direção-Geral do Tesouro e Finanças na ordem dos 458,10 milhões de euros (entre um valor global de financiamentos que ascende a 721,51 milhões de euros), revelam as contas provisórias da Carris.

Relativamente aos "swaps", a 31 de dezembro de 2015 o saldo da rubrica "acréscimos de gastos - swaps", respeitante a "instrumentos financeiros que se encontram registados ao justo valor, por resultados mediante avaliações efetuadas à data de relato pelas entidades bancárias ou com base nas avaliações efetuadas pela Agência de Gestão de Tesouraria e da Dívida Pública - IGCP", discrimina os contratos referentes a cinco operações de "swap" detalhando acréscimos de gastos da ordem dos 50,93 milhões de euros (mesmo assim inferiores aos acrescimos de gastos registados em 2014, que ascenderam a 77,57 milhões de euros).

Em cauda estão os "swap" de taxa de juro sobre quatro empréstimos, designadamente no valor de 215 milhões de euros, de 90 milhões e mais dois empréstimos de 100 milhões de euros cada.

Como o Estado português decidiu suspender pagamentos referentes a estes contratos de "swap", em 2015 foram efetuadas provisões no montande de 18,53 milhões de euros para processos judiciais em curso.

Revela o relatório e contas de 2015 da Carris que "o passivo vencido relativo a estes contratos encontra-se refletido nas demonstrações financeiras do final de 2015 no montante total de 39,94 milhões de euros".

De igual forma, no final de 2015 encontrava-se a decorrer um processo num tribunal de Londres interposto por uma instituição financeira contra o Estado português em 2013, de que podem surgir custas e eventuais gastos adicionais decorrentes da suspensão do pagamento por parte da Carris.

Sobre estas situações, a Carris constituiu uma "provisão de 611,03 mil euros, para fazer face a custas judiciais, e ainda de 1,02 milhões de euros para juros de mora", adiantam as contas da Carris.