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BCE alerta para risco de “evento dramático”. Juros de Itália e França sob pressão

A sessão desta quinta-feira iniciou-se com quedas nos juros da dívida soberana na zona euro. Mas fechou revelando resistência à descida. Juros de Espanha e Portugal recuam. Vítor Constâncio fala de agravamento da instabilidade política e do risco de correções súbitas

Jorge Nascimento Rodrigues

A sessão desta quinta-feira no mercado secundário da dívida iniciou-se na zona euro com descidas acentuadas das yields para as obrigações espanholas, portuguesas, italianas e belgas no prazo de referência a 10 anos. Mas fechou numa situação diversificada, com descidas ligeiras para Espanha e Portugal, subidas para França e Itália, e sem alteração para a Alemanha, o país do centro da zona euro que serve de referência, e para Bélgica, Irlanda e Grécia,outros três membros do euro com níveis de dívida pública e privada elevados em relação ao PIB. A sessão acabaria por revelar uma resistência das yields a uma descida em muitos países membros do euro.

No campo das descidas no prazo a 10 anos, as yields das Obrigações do Tesouro português recuaram 2 pontos base para 3,66%, depois de terem estado a descer 9 pontos base a meio da manhã. No caso de Espanha, as yields caíram 11 pontos base de manhã para fecharem em 1,62%, com um recuo de apenas 1 ponto base. Para França e Itália, a trajetória inverteu-se; as yields abriram a descer 4 e 11 pontos base e fecharam a subir 3 e 1 ponto base respetivamente.

O prémio de risco revelou um padrão similar. Desceu para Espanha, Irlanda e Portugal, e subiu para França e Itália. No caso português, o prémio desceu para 340 pontos base, um recuo de 3 pontos base em relação ao encerramento de quarta-feira.

A rentabilidade da dívida obrigacionista, medida desde o início do ano, melhorou esta quinta-feira para Irlanda e Portugal no grupo dos periféricos do euro, mas piorou para Itália e o conjunto da zona euro, segundo os indicadores da Bloomberg. Itália e Portugal registam rentabilidade negativa, mas no primeiro caso agravou-se para -1,37% e no segundo melhorou para -3,21%. O índice da dívida obrigacionista portuguesa está a melhorar desde 21 de novembro, enquanto o da dívida italiana está a agravar-se desde quarta-feira.

Desde o início do ano registam-se dois momentos de maior stresse em que a rentabilidade negativa da divida portuguesa foi mais elevada, ambos provocados por 'choques' externos: a 11 de fevereiro, quando o retorno se afundou para -7,5% no auge da crise do Grexit, e, recentemente, a 18 de novembro, com a rentabilidade a descer para -4,12%, devido à permanência do 'efeito Trump'.

Risco de correção súbita

Os mercados financeiros na zona euro foram esta quinta-feira alertados pelo Banco Central Europeu (BCE) para o risco de “um evento dramático” na sequência do agravamento da instabilidade política nos Estados Unidos e na Europa. A instabilidade política pode desencadear um contágio no sistema financeiro da zona euro, referiu Vítor Constâncio, vice-presidente do BCE. A zona euro tem de estar preparada para uma tal ocorrência. O Relatório semestral sobre estabilidade financeira, apresentado hoje pelo BCE, acentua que a zona euro está vulnerável a um risco global de “correção súbita” dos preços dos ativos financeiros nos mercados, sejam obrigações ou ações.

O documento do BCE adianta ainda outros três riscos sistémicos: a ligação umbilical entre baixa rentabilidade dos bancos e crescimento económico fraco num período de retoma; a ampliação dos riscos de liquidez; e o regresso das preocupações com a sustentabilidade das dívidas soberanas e do sector privado.