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Leilão de dívida: Portugal paga mais por colocação de €700 milhões

No último leilão de obrigações de 2016, o IGCP pagou esta quarta-feira 2,112%, abaixo das yields no mercado secundário, mas mais do que pagou a 26 de outubro por €1000 milhões

Jorge Nascimento Rodrigues

No último leilão deste ano de Obrigações do Tesouro (OT), Portugal pagou esta quarta-feira 2,112% pela colocação de 700 milhões de euros na reabertura da linha com maturidade a 5 anos. Foi a taxa mais elevada do ano nas emissões neste prazo. A procura foi de 1,92 vezes a colocação.

Em comparação com o leilão similar anterior, realizado a 26 de outubro, a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) teve de pagar hoje uma taxa de colocação superior em 36 pontos base e emitiu menos 300 milhões de euros. No leilão de outubro, o IGCP colocou 1000 milhões de euros e pagou 1,751%. Para o leilão de hoje, a Agência pretendia uma colocação entre 500 e 750 milhões de euros. Ficou abaixo do limite superior. A procura foi ligeiramente inferior à registada no leilão anterior (1,93).

O pagamento de uma taxa de colocação superior à de 26 de outubro já era esperado, em virtude das yields desta linha de OT no mercado secundário terem iniciado uma trajetória ascendente a partir de 27 de outubro, subida que se acelerou a partir de 8 de novembro, tendo galgado o patamar dos 2% a 14 de novembro. As yields a 5 anos já haviam estado acima de 2% em algumas sessões em setembro fruto do stresse do risco de corte do rating da dívida portuguesa pela DBRS. O 'efeito Trump' provocou, de novo, uma subida no mercado secundário. O pico do ano, até à data, verificou-se com o contágio grego de fevereiro, com as yields a aproximarem-se de 2,5%.

O leilão de hoje é o sexto na linha de OT a 5 anos, e a taxa de colocação paga esta quarta-feira foi a mais elevada do ano nesta maturidade. O IGCP não realizou leilões de dívida obrigacionista durante a crise do Grexit e iniciou a reabertura desta linha em março. As taxas de colocação registadas foram de 2,032% a 9 de março; 1,84% a 23 de março; 1,843% a 8 de junho; 1,87% a 31 de agosto; 1,751% a 26 de outubro; e 2,112% a 23 de novembro.

A taxa de colocação desta quarta-feira é ligeiramente inferior à que se regista no mercado secundário, que flutua em torno de 2,18%. Na sexta-feira passada, as yields nesta linha de OT fecharam em 2,25% e desceram, depois, durante o início desta semana.

Na mais recente emissão espanhola a 5 anos, realizada a 11 de novembro, o Tesouro pagou 0,408% pela colocação de 920 milhões de euros. Quase 1/5 do custo de financiamento da dívida portuguesa naquela maturidade. No caso de Itália, o Departamento do Tesouro colocou 2,75 mil milhões de euros a 28 de outubro, pagando 0,57%.

  • A uma hora do leilão de dívida obrigacionista que o IGCP vai realizar esta quarta-feira, os juros das obrigações a 5 anos no mercado secundário sobem para 2,18%. Desde 14 de novembro que estão acima de 2%. No prazo de referência, subiram para 3,66%. Apenas Itália e Portugal registam hoje subidas nos juros na zona euro

  • Draghi deu uma ajuda ao leilão de dívida portuguesa

    Juros da dívida estão a descer desde segunda-feira depois de o presidente do Banco Central Europeu garantir que os estímulos monetários estão de pedra e cal. Risco de bancarrota está longe dos picos que atingiu aquando do Brexit ou do Grexit. IGCP (Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública) regressa esta quarta-feira ao mercado para o último leilão português do ano