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Juros da dívida regressam às subidas. Itália e Reino Unido lideram

A sessão desta quarta-feira saldou-se por um movimento global de subida dos juros da dívida obrigacionista na Europa e nos EUA. Em dia de emissão de dívida em Portugal, juros das obrigações a 10 anos reaproximaram-se de 3,7%. Maior pressão sobre a dívida italiana

Jorge Nascimento Rodrigues

A sessão desta quarta-feira no mercado secundário da dívida soberana ficou marcada por uma subida nas yields das obrigações na Europa e nos Estados Unidos, com exceção da Grécia, onde as taxas continuam a recuar abaixo de 7%.

As subidas mais significativas no prazo de referência a 10 anos registaram-se em Itália e no Reino Unido, com aumentos respetivamente de 11 e 7 pontos base em relação ao fecho do dia anterior. Em Espanha e Portugal a subida foi de 5 pontos base, tal como nos EUA.

As yields da dívida portuguesa subiram no mercado secundário, em dia de emissão de dívida em Portugal, com um leilão realizado pela Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública que colocou 700 milhões de euros reabrindo a linha de Obrigações do Tesouro (OT) que vence em 2021. O Tesouro pagou hoje 2,112%, mais 36 pontos base (0,36 pontos percentuais) do que na emissão similar em 26 de outubro, mas abaixo dos níveis que se verificavam no mercado secundário, onde as yields, naquele prazo, fecharam em 2,18%, um aumento muito ligeiro, de 1 ponto base, em relação ao dia anterior. As yields neste prazo estão acima de 2% desde 14 de novembro.

No prazo de referência, a 10 anos, as yields das OT fecharam em 3,68%, invertendo a trajetória de descida de segunda e terça-feira, mas mesmo assim situando-se abaixo do máximo de nove meses registado na sexta-feira passada quando fecharam em 3,85%. Os cinco periféricos do euro continuam em patamares muito distintos nas taxas no mercado secundário na maturidade de referência: ligeiramente abaixo de 7% para a Grécia; entre 3 e 4% para Portugal; mais de 2% para Itália; entre 1,5% e 1,7% para Espanha; e perto de 1% para Irlanda.

Nos leilões mais recentes de obrigações, com vencimento em 2026, Portugal colocou 550 milhões de euros pagando 3,027% a 31 de agosto, Espanha emitiu 1,97 mil milhões de euros a uma taxa média de 1,498% em 17 de novembro, e a Itália vendeu 2,5 mil milhões de euros com uma remuneração de 1,62% em 28 de outubro.

O prémio de risco da dívida italiana registou a maior subida na zona euro esta quarta-feira, aumentando oito pontos base fechando em 187 pontos base, tendo-se reduzido a distância em relação ao prémio para a dívida portuguesa que subiu quatro pontos para 343 pontos. Cada 100 pontos equivalem a um diferencial de 1 ponto percentual am relação ao custo de financiamento da dívida alemã, que serve de referência. A distância do prémio de risco da dívida portuguesa em relação a Espanha, Irlanda e Itália continua a ser significativa: 2 pontos percentuais (pp), mais de 2,7 pp e 1,6 pp respetivamente.

Também o custo dos credit default swaps (CDS, no acrónimo) para a dívida italiana foi o preço que mais aumentou na quarta-feira neste mercado de derivados financeiros. Segundo a Markit, subiram 5% para 180 pontos base, acima dos aumentos para Paquistão, França, Alemanha e Venezuela.

O ‘efeito Trump’ – que está a gerar um aumento das expetativas de inflação a curto prazo, o que faz subir as yields da dívida – que se faz sentir desde 9 de novembro prossegue a sua marcha e um despacho da Reuters de hoje dava conta que a avaliação do programa de compra de ativos pelo Banco Central Europeu poderá não terminar na reunião de 8 de dezembro. Na zona euro, o problema italiano continua a concentrar a atenção em virtude do referendo constitucional que se realiza a 4 de dezembro, cujo desfecho é incerto. Os meios financeiros da City londrina falaram de uma “venda massiva de Gilts (designação das obrigações britânicas)” na sessão de hoje.

A marcar o dia o facto do governo britânico ter anunciado um programa de expansão orçamental para 2017, com um aumento das necessidades de financiamento em 122 mil milhões de libras e um pacote de estímulos de mais de 30 mil milhões de libras para infraestruturas, redes de transporte, banda larga, Investigação & Desenvolvimento, apoio a start-ups e fomento da produtividade que se estende pelo quinquenio. O chanceler do Tesouro anunciou que o Reino Unido deixa cair o objetivo de excedentes orçamentais em 2019 e 2020.