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Juros da dívida com subida ligeira em dia de último leilão do ano

A uma hora do leilão de dívida obrigacionista que o IGCP vai realizar esta quarta-feira, os juros das obrigações a 5 anos no mercado secundário sobem para 2,18%. Desde 14 de novembro que estão acima de 2%. No prazo de referência, subiram para 3,66%. Apenas Itália e Portugal registam hoje subidas nos juros na zona euro

Jorge Nascimento Rodrigues

O mercado secundário da dívida soberana regista na abertura desta quarta-feira uma ligeira subida nas yields das Obrigações do Tesouro português (OT) a 5 e 10 anos.

A apenas uma hora da realização do último leilão do ano de OT a realizar pela Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP), as yields das OT a 5 anos, a linha que vai ser reaberta para o leilão, subiam para 2,18%, um aumento de apenas 1 ponto base em relação ao fecho do dia anterior. As yields desta linha de OT estão acima de 2% desde 14 de novembro.

O IGCP pretende colocar hoje entre 500 e 750 milhões de euros no leilão de reabertura da linha que vence em abril de 2021. No anterior leilão similar, realizado em 26 de outubro, colocou 1000 milhões de euros (mais do que pretende agora) e pagou uma taxa de colocação de 1,751%, abaixo do custo de financiamento indicado esta semana pelo mercado secundário.

No prazo de referência, a 10 anos, as yields subiam para 3,66%, um avanço de três pontos base em relação ao encerramento de terça-feira.

Estes níveis de yields a 5 e 10 anos estão, contudo, abaixo dos picos de nove meses que registaram na sexta-feira passada, fechando em 2,25% e 3,85% respetivamente.

As declarações de Mario Draghi perante o Parlamento Europeu na segunda-feira puseram um ponto final na especulação de que o Banco Central Europeu (BCE) poderia ceder às pressões políticas, sobretudo do governo e do banco central alemães, para iniciar uma descontinuação da política monetária expansionista. Esta tomada de posição, repetindo o que o presidente do BCE tem dito, contrabalançaram o efeito Trump, que tem provocado um aumento continuado dos juros da dívida das economias desenvolvidas desde 9 de novembro (dia posterior às eleições presidenciais nos Estados Unidos).

O risco de incumprimento implícito da dívida portuguesa, medido pelo preço dos credit default swaps a 5 anos, tem variado num intervalo entre 270 e 280 pontos base desde 8 de novembro, inferior ao registado aquando do impacto do Brexit em junho (quando fixou um máximo do ano em 340 pontos, segundo dados da Reuters), do Grexit em fevereiro, e do stresse do corte de rating português em outubro. Esta quarta-feira, na abertura, estava a variar entre 272 e 287 pontos.

No conjunto da zona euro, as yields abriram esta quarta-feira em baixa ligeira, com a exceção das obrigações portuguesas e italianas. As yields das obrigações transalpinas, no prazo de referência, subiam cinco pontos base, para 2,07%. Na dívida alemã, as yields das obrigações a 2 anos caíram esta manhã para -0,75% (valor negativo), um mínimo histórico. A 10 anos, continuam em terreno positivo, tendo descido ligeiramente para 0,22%.

O custo de financiamento da dívida portuguesa a 5 anos – no caso hoje em foco - é substancialmente mais elevado do que o registado para Espanha, Irlanda e Itália. Face a mais de 2% para as OT, as yields situam-se em 0,047% para a Irlanda (quase em 0%), o,49% para Espanha e 0,95% para Itália.

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    Juros da dívida estão a descer desde segunda-feira depois de o presidente do Banco Central Europeu garantir que os estímulos monetários estão de pedra e cal. Risco de bancarrota está longe dos picos que atingiu aquando do Brexit ou do Grexit. IGCP (Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública) regressa esta quarta-feira ao mercado para o último leilão português do ano