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Faria de Oliveira: “Banca está atrair investidores que não seriam os mais desejados”

António Pedro Ferreira

A entrada da chinesa Fosun no BCP e a tentativa da ‘holding’ China Minsheng de se tornar acionista do Novo Banco foi um dos assuntos abordados no debate sobre o Futuro da Banca

O presidente da Associação Portuguesa de Bancos considerou que o setor está a atrair investidores que não seriam os mais desejados, já que preferiu investimento de países desenvolvidos, mas considerou que o importante é garantir que são credíveis.

“Temos de encontrar soluções para recapitalizar a banca portuguesa e sem recorrer a contribuintes. Daí os bancos estarem por si a reestruturar-se para melhorar as suas condições operativas e a procurarem atrair investidores que não são os que muitos desejaríamos, mas que são os investidores que por várias razões se interessam” pelos bancos portugueses, disse Fernando Faria de Oliveira num debate na terça-feira sobre O Futuro da Banca, no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), em Lisboa.

O presidente da associação que representa os principais bancos falava depois de o professor universitário João Duque, um dos participantes do debate, ter questionado o interesse dos investidores em bancos europeus, e especialmente portugueses, quando é cada vez menor a rentabilidade dos capitais investidos.

“Provavelmente, a Fosun [que se tornou este fim de semana acionista do BCP] tem uma lógica diferente. Os modelos [de negócio] das universidades ocidentais não funcionam provavelmente para um investidor chinês entrar em Portugal. Relevam provavelmente outros aspetos que nós não relevamos”, afirmou o economista, considerando que no investimentos de alguns países emergentes no setor financeiro português há uma “lógica de atuação estratégica” que parece diferente da lógica puramente mercantil.

Já Mira Amaral, que foi até recentemente presidente do angolano Banco BIC, considerou que não há “em Portugal capacidade para acudir às necessidades dos bancos” em termos de capital, pelo que se nota uma predominância de capitais estrangeiros, sejam de Espanha, de Angola, sobretudo enquanto tiveram “petróleo em alta”, e agora de chineses.

Para Mira Amaral, importante é que o setor financeiro português “não fique preso numa só geografia”, para não ser atingido por dificuldades internas dessa região.

Já mais no fim do debate, o presidente da APB disse que o fundamental é garantir que os bancos tenham “acionistas fortes”, com estratégia e capacidade para injetar capital em caso de necessidade.

“Gostaríamos que fossem mais bancos ou investidores europeus a participar nos bancos portugueses, a nossa tendência é orientarmo-nos para os países mais desenvolvidos do mundo. Mas o que me parece essencial é tomar atenção a quem são os investidores e assegurar a reputação e que são credíveis”, afirmou.

Entre os principais bancos portugueses, o maior é a Caixa Geral de Depósitos, que é totalmente detida pelo Estado.

Já o BCP posiciona-se como o maior banco privado português, tendo como principais acionistas o grupo chinês Fosun e a petrolífera angolana Sonanol. Também o banco espanhol Sabadell, o Grupo EDP e o Grupo Interoceânico têm posições de referência no banco.

O Novo Banco (o banco de transição do ex-BES) é para já detido pelo Fundo de Resolução bancário (gerido pelo Banco de Portugal), estando a decorrer um processo de venda.

Os nomes dos candidatos não foram revelados publicamente, mas, segundo a imprensa, são os bancos BCP e BPI e os fundos Apollo/Centerbridge, em parceria, e Lone Star, que apresentaram propostas no âmbito do processo de venda direta, enquanto a ‘holding’ China Minsheng se propõe ser acionista do Novo Banco através da opção de venda em mercado.

O BPI tem como principais acionistas o espanhol Caixabank e a ‘holding’ angolana Santoro, estando em curso uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) do Caixabank para ficar com a totalidade do capital social.
Por fim, o Santander Totta é totalmente detido pelo espanhol Santander.