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Banco Mundial diz que os Estados têm de assegurar a proteção social até aqui dada por grandes empresas

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“Há mudanças dramáticas, devidas simultaneamente à globalização e às novas tecnologias, que são difíceis de ser absorvidas pelas pessoas, e provavelmente as sociedades precisam de um novo contrato social, uma nova forma de se lidar com o novo mercado laboral”, afirma o economista chefe do Banco Mundial

A ansiedade gerada pela precarização do mercado laboral contribuiu para o Brexit e para a subida de líderes políticos populistas, que preconizam medidas protecionistas, mas o fecho de fronteiras será uma falsa solução contra os efeitos da globalização, defende Hans Timmer, economista chefe do Banco Mundial.

Embora sejam esperados crescimentos a curto prazo, no longo prazo o populismo terá um impacto negativo na Europa e na Ásia Central, segundo refere um novo relatório da instituição.

“A ansiedade refletida nas votações nos partidos mais populistas tem a sua raiz nas mudanças nos mercados laborais, a falta de segurança laboral. E o risco está a aumentar, pois os problemas que estas pessoas encontram não estão a ser resolvidos. Há mudanças dramáticas, devidas simultaneamente à globalização e às novas tecnologias, que são difíceis de serem absorvidas pelas pessoas; provavelmente, as sociedades precisam de um novo contrato social, uma nova forma de se lidar com o novo mercado laboral”, afirma Timmer numa entrevista concedida à EuroNews.

O relatório refere que as preocupações geradas pelas mudanças económicas, e em particular pela diminuição da segurança laboral, estão a levar a uma polarização política e ao afastamento dos partidos até aqui dominantes.

“A insegurança laboral significa que todos os novos empregos que estão a ser criados ou são empregos temporários, e os empregos a tempo inteiro mais permanentes estão a tornar-se cada vez mais e mais escassos. De modo que o que os Governos podem fazer para ajudar as pessoas é ajustarem-se a esta nova situação. Isso significa que as proteções sociais que no passado estavam fortemente ligadas a grandes empresas, onde as pessoas podiam trabalhar durante largos períodos, agora têm de ser dissociadas dessas empresas e tornar-se mais abrangentes e disponíveis”.

Timmer considera ainda o caso do Brexit com um “bom exemplo” de como as mudanças em curso não irão muito provavelmente ao encontro de soluções para a perda de trabalhos permanentes. “Vocês não conseguem isso apenas fechando as fronteiras”, frisa.