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BPI. Acionistas adiam decisão sobre venda de 2% do Banco de Fomento Angola

A decisão sobre a transferência de controlo do BFA para a Unitel foi adiada para 13 de dezembro.

A assembleia-geral (AG) de acionistas do BPI que esta quarta-feira se realizou na Casa da Música, no Porto, foi adiada para 13 de dezembro. Os acionistas deveriam votar a venda de 2% do Banco Fomento Angola (BFA) à Unitel por 28 milhões de euros, transferindo o controlo do BFA para a empresa angolana.

O CaixaBank pediu a suspensão da AG por não estarem ainda reunidas as condições nem a autorização do BCE para que a venda reduzisse a exposição a Angola.

A AG contou com 239 acionistas, representando 84% do capital do BPI. A suspensão proposta pelo CaixaBank foi aprovada por 66% dos votos.

A operação de venda resolve a imposição do BCE sobre o limite dos grandes riscos e o anátema lançado sobre o mercado angolano. Segundo o conselho de administração do BPI, esta “foi a única solução possível de concretizar” que permite reduzir a exposição a Angola e cumprir a exigência do BCE quanto à “ultrapassagem do limite dos grandes riscos com que o banco se confronta desde o fim de 2014”. Como o problema não se pode eternizar, a venda parcial do BFA “revela-se absolutamente fundamental”, justificou a administração do BPI.

Nesta AG o suspense residia no veredicto do presidente da mesa da AG, Osório de Castro, sobre o alegado conflito de interesses dos principais acionistas (CaixaBank, Santoro, BIC e Allianz), somando mais de 70% do capital. A família Violas, o maior acionista português (2,7%) é um dos acionistas que alega tal conflito de interesses e defende que os dois principais acionistas têm sido beneficiados.

Com o adiamento, Osório de Castro não teve que apreciar o pedido dos acionistas minoritários.

Solução possível

Alfredo Rezende de Almeida (Arcotêxteis), acionista fundador do BPI como a família Violas, não subscreve a tese dos minoritários. A discussão “sobre o conflito de interesses não tem relevância quando o fundamental para o banco é afastar a ameaça do regulador europeu”, diz ao Expresso. Para o empresário não interessa agora discutir se esta é a melhor solução “porque é a única possível e não existe alternativa”.

A administração do BPI, presidida por Artur Santos Silva, avisara os acionistas que o impasse não se podia prolongar por mais tempo "sob pena do banco, e por inerência os seus acionistas" serem confrontados com iniciativas e multas do BCE que teriam "efeitos gravíssimos para a situação do banco e o valor das suas ações".

No âmbito do novo acordo parassocial com a Unitel, o BPI ficará sem gestores executivos e terá direito a nomear apenas dois administradores na equipa de 15.

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    As águas vão voltar a agitar-se na Assembleia Geral do BPI esta quarta-feira. O grupo Violas e quatro pequenos acionistas ameaçam impugnar a venda de 2% do Banco de Fomento Angola (BFA) à Unitel, liderada por Isabel dos Santos. Alegam que a acionista angolana está a ser beneficiada pelo espanhol CaixaBank na OPA sobre o BPI. E dizem que há conflito de interesses na posição tomada entre os grandes acionistas do banco presidido por Fernando Ulrich no negócio que leva à perda do controlo do BPI no BFA, imposta pelo Banco Central Europeu