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Juros da dívida descem depois de máximos de nove meses

Os juros das Obrigações do Tesouro a 5 e 10 anos estão em trajetória descendente desde segunda-feira, depois de terem subido para cerca de 3,9% e 2,3% respetivamente no final da semana passada. Ontem foram os que mais desceram nos periféricos. Quarta-feira Portugal realiza leilão de dívida a 5 anos

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields das Obrigações do Tesouro (OT) português no prazo de referência, a 10 anos, desceram esta terça-feira, na abertura do mercado secundário, para 3,6%. O mesmo movimento de descida observa-se no prazo a 5 anos, com as yields a abrirem em 2,19%, a um dia da realização do último leilão do ano de dívida obrigacionista portuguesa.

Depois de um máximo de nove meses no final da semana passada, com as yields das OT no prazo de referência a fecharem em 3,85%, a trajetória inverteu-se no início desta semana. Na segunda-feira, encerraram a sessão em 3,7%, uma descida de 15 pontos base, a mais elevada entre os periféricos, e face a um aumento ligeiro das yields das obrigações espanholas. A 5 anos, as yields caíram de 2,3% no fecho da semana passada para 2,2% no encerramento da sessão de ontem.

A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública, IGCP, realiza amanhã o último leilão do ano, reabrindo a linha de OT que vence em 2021. O IGCP pretende colocar entre 500 e 750 milhões de euros, menos do que os 1000 milhões de euros no leilão anterior desta linha realizado em 29 de outubro. Então, pagou uma taxa de 1,751% e a procura foi de 1,93 vezes superior ao montante colocado. Mesmo, com a trajetória de descida no mercado secundário registada no início desta semana, as yields para este prazo estão acima de 2% no mercado secundário.

Se ontem, o comportamento das yields da dívida no prazo de referência era “misto”, hoje, na abertura da sessão, a descida é geral na zona euro.

A subida global das yields da dívida obrigacionista nas economias desenvolvidas foi alimentada pelo ‘choque’ da vitória de Trump a 8 de novembro. No caso da zona euro, foi agravada pela perceção mais recente de que a zona euro não vai ter qualquer estímulo da política orçamental em 2017 (pela oposição nomeadamente da Alemanha às propostas da Comissão Europeia para um aumento do impulso orçamental em 0,5% do PIB já em 2017) e que há fortes pressões sobre a política monetária expansionista do Banco Central Europeu (BCE) por parte do Ministério das Finanças e do Bundesbank (banco central) germânicos.

Draghi reafirma política de estímulos do BCE

No entanto, Mario Draghi reafirmou na segunda-feira ao final da tarde perante o Parlamento Europeu que a política do BCE manterá “um grau substancial de acomodação monetária”. Sublinhou que a evolução do atual processo de reflação (com uma inflação ainda muito baixa, de 0,5% em outubro, mas em subida contínua em terreno positivo desde junho) continua a depender “do atual nível sem precedentes de apoio monetário, apesar da redução gradual do hiato do produto” na zona euro, que desceu de -2,8% do PIB potencial em 2014 para uma previsão de -1,5% em 2016. Um hiato do produto negativo indica que o PIB atual está ainda abaixo da plena capacidade da economia.

O presidente do BCE voltou a insistir que é necessária “a ação decisiva por parte de outras áreas de política”, ou seja, da política governamental.

O BCE reúne o seu conselho a 8 de dezembro, quatro dias depois do referendo constitucional em Itália, e tem na agenda a avaliação do programa de compras de ativos.

Exuberância nas bolsas

O mercado da dívida está, também, a ser, agora, positivamente influenciado por alguma “exuberância” no mercado bolsista, segundo alguns analistas. Na segunda-feira, os três principais índices de Nova Iorque fixaram recordes históricos. O índice MSCI para os Estados Unidos subiu 0,75% e o similar para a Europa avançou 0,76%. Os dois índices “puxaram” pelo índice MSCI global que registou um ganho de 0,73%, depois de uma sexta-feira em que recuou 0,54% e de uma semana em que teve perdas ligeiras.

A Ásia Pacífico já fechou esta terça-feira em terreno positivo, com o índice Hang Seng, de Hong Kong, a liderar, registando uma subida de mais de 1,4%. O índice MIB de Milão lidera as subidas nas principais praças europeias, com um avanço de mais de 1,6%.