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Fosun quer ter 30% do BCP antes do reembolso de €750 milhões ao Estado

ALTERAÇÕES. Nuno Amado, presidente do Millennium BCP, tem agora como maior acionista a Fosun, em vez da Sonangol. Mas em dezembro o banco deve alterar os limites dos direitos de voto dos acionistas

O grupo chinês poderá fazer um investimento total de 500 milhões de euros no BCP. Não haverá oposição ao reforço da Sonangol até 30% do banco.

A estratégia do grupo chinês Fosun é precisa: no conjunto dos investimentos que quer efetuar em Portugal, além dos seguros e da saúde estabeleceu como prioridade a entrada no capital de um grande banco. Mas não começou bem, porque falhou o concurso de alienação do Novo Banco. No entanto, na segunda tentativa - o BCP - tudo correu melhor. Este domingo subscreveu um aumento de capital no BCP, onde aplicou 175 milhões de euros, ficando com uma participação de 16,67% no maior banco privado português. Agora segue-se a segunda parte da operação da Fosun no BCP, para atingir os pretendidos 30%, que quer concretizar antes de julho de 2017 - a data limite para o BCP reembolsar ao Estado os 750 milhões de euros em obrigações convertíveis (CoCos).

Apesar dos responsáveis do Grupo Fosun não se pronunciarem sobre o tema do BCP, o Expresso sabe que a estratégia chinesa admite um investimento global da ordem dos 500 milhões de euros para o investimento em 30% do BCP - a concretizar através da sociedade Chiado (uma designação que foi atribuída em honra da zona de Lisboa onde a Fosun montou a sua atividade quando começou a operar em Portugal).

Negociar reembolso dos CoCos

Para concretizar esta operação - que já obteve a autorização das entidades reguladoras da banca - a Fosun aponta para o prazo limite do segundo trimestre de 2017, de forma a que o grupo liderado por Guo Guangchang consiga obter, em tempo útil, um consenso entre acionistas para que a administração do BCP siga a solução financeira mais adequada ao banco no reembolso dos CoCos.

Toda esta operação de aumento de capital foi precedida da assinatura de um Memorando de Entendimento com o BCP - concretizado a 18 de novembro - onde ficou definido o objetivo de vir a deter 30% do capital social do BCP, o que pode ser feito por compra de participações de outros acionistas ou pela subscrição de aumentos de capital (que teriam a vantagem de reforçar os rácios do BCP).

Da mesma forma que a entrada da Fosun no BCP foi bem vista pelos restantes acionistas, o próximo passo do grupo chinês para elevar a sua participação até 30% do capital do banco terá de ser feito em "harmonia" com os interesses dos maiores acionistas do BCP, entre os quais está a petrolífera estatal angolana Sonangol.

Chineses não se opõem ao reforço da Sonangol

Como a Sonangol é um acionista com historial no BCP, que acompanha a estratégia do banco de forma "construtiva", a Fosun não deverá opor-se ao aumento da participação dos angolanos até aos 30% do banco, admitiram ao Expresso fontes conhecedoras da estratégia chinesa.

No imediato, a reação da Bolsa à entrada da Fosun foi favorável ao BCP, contribuindo para travar o cíclo de queda de cotações, com a ação a subir 3,6% esta manhã, para 1,29 euros. Foi uma "entrada" favorável a todos os acionistas.

Também é verdade que este pequeno sucesso não apaga os efeitos do aumento de capital da Fosun nos restantes acionistas - que diluiu participações. É que os angolanos da Sonangol viram a sua participação descer de 17,84% para 14,9% por efeito do aumento de capital subscrito pela Fosun.

Assim, a Sonangol deixou de ser o maior acionista do BCP - posição que ocupou desde 2008 -, remetendo-se ao lugar de segundo maior acionista. Mas a petrolífera angolana liderada por Isabel dos Santos não pretende manter-se durante muito tempo num papel secundário em relação à Fosun. Por isso aguarda que a regulação do Banco Central Europeu autorize um aumento da sua participação no BCP até aos 30%.

Direitos de voto serão revistos

A questão do aumento da participação da Sonangol implica igualmente que o limite aos direitos de voto seja "revisto para cima", para poder subir dos atuais 20% para 30%, o que passa por uma assembleia geral no BCP, que deveria ter sido realizada a 21 de novembro, mas que acabou por ser adiada para 19 de dezembro.

A reação da banca de investimento foi favorável à entrada da Fosun, aplaudindo o reforço de capital no BCP, que permitiu melhorar os rácios legais do banco.

A Goldman Sachs e o banco Haitong foram as primeiras instituições a pronunciarem-se sobre a nova realidade acionista do BCP – um aumento de capital que teve subjacente um preço do BCP que ficou cerca de 11% abaixo da cotação conhecida antes da subscrição, pois a Fosun pagou o equivalente a 1,1089 por cada ação do banco.

Rácio do BCP já melhorou

A Goldman Sachs divulgou uma nota de análise onde sustenta que o reforço de capital do BCP, com a entrada da Fosun, deve ter um impacto de 50 pontos base no rácio de capital do BCP.

O Haitong, por seu turno, considera mais relevante que o aumento de capital de 175 milhões de euros no BCP tenha permitido elevar o seu rácio de capital Core E Tier1 de 9,5% para 10%. E, por isso, o Haitong faz uma recomendação neutral para o BCP, propondo-lhe um preço-alvo de 1,50 euros por ação. Note-se que o valor da ação do BPC mudou com a fusão das ações do banco, pois antes desde operação, o preço-alvo estabelecido pela Haitong para o BCP era de 0,02 euros por ação. De resto, este preço-alvo de 0,02 euros era igual ao que foi fixado por outras análises, como a da Goldman Sachs, da JP Morgan e da Autonomous.