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“Aliança financeira” Fosun-Sonangol sustenta BCP

Tiago Miranda

As ações do banco sobem 3,6%, para 1,29 euros, sendo este o efeito imediato do aumento de capital concretizado este fim de semana pelos chineses da Fosun. Analistas são prudentes, mas reconhecem que os rácios melhoraram. Fosum e Sonangol querem ambas aumentar a participação no BCP até aos 30% cada

O BCP inverteu o cíclo de queda de cotações, com a ação a subir 3,6% esta manhã para 1,29 euros, depois dos chineses da Fosun terem consumado este fim de semana a entrada no capital, detendo 16,7% do banco, mas com o objetivo já anunciado de quererem chegar aos 30%.

Paralelamente, os angolanos da Sonangol – que desceu a participação de 17,84% para 14,9% por efeito do aumento de capital subscrito pela Fosun –também aguardam que o Banco Central Europeu autorize que subam a sua participação no BCP até aos 30%. A reação da banca de investimento é cautelosa, embora aplauda o reforço de capital feito pela Fosun, que permitiu melhorar os rácios legais do banco.

Esta operação captou para o BCP um acionista com grande capacidade financeira, o que é importante num momento em que o banco ainda tem a pagar ao Estado os 750 milhões de euros de obrigações convertíveis (CoCos), e terá de fazê-lo até julho de 2017.

Por enquanto, a Goldman Sachs e o banco Haitong foram as primeiras instituições a pronunciarem-se sobre a nova realidade acionista do BCP – um aumento de capital que tem subjacente um preço do BCP que ficou cerca de 11% abaixo da última cotação conhecida, pois a Fosun pagou o equivalente a 1,1089 por cada ação do BCP.

A Goldman Sachs divulgou uma nota de análise onde sustenta que o reforço de capital do BCP, com a entrada da Fosun, deve ter um impacto de 50 pontos base no rácio de capital do BCP. O Haitong, por seu turno, considera que a entrada da Fosun no BCP permite-lhe reforçar os rácios de capital.

Numa nota de análise, o Haitong diz que “o preço de subscrição no aumento de capital é de alguma forma dececionante (já que houve um desconto de 10% face ao preço ajustado de 1,226 euros), considerando que o BCP está a negociar próximo de mínimos do ano”.

No entanto, o facto mais relevante para o Haitong é que o aumento de capital de 175 milhões de euros no BCP permitiu elevar o seu rácio de capital Core E Tier1 de 9,5% para 10%. E, por isso, o Haitong faz uma recomendação neutral para o BCP, propondo-lhe um preço-alvo de 1,50 euros por ação.