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Os locais que mais atraem os ricos

João Carlos Santos

Lisboa, Cascais, Estoril, Sintra e Algarve são as zonas que mais cativam compradores estrangeiros

Portugal está na moda tanto a nível turístico como de investimento imobiliário. A capital e zonas circundantes, como Cascais, Estoril e Sintra, a par com o Algarve, são locais conhecidos internacionalmente e que facilmente entram na mira de quem compra imóveis de luxo. Esta posição é defendida pelos fundadores da European Real Estate Network (EREN), uma rede europeia independente de consultoras imobiliárias premium da qual Portugal faz parte desde junho. Acreditam que o país tem muito para oferecer e tem as vantagens de estar na Europa, funcionando como um reduto de cultura, estilo de vida e qualidade que os ricos deste mundo apreciam.

O espanhol José Ribes Bas, em conjunto com Ueli Schnorf, da Suíça e Giancarlo Bracco, da Itália, estiveram recentemente em Lisboa, para a reunião semestral da EREN, rede que criaram em 2005. Com a entrada da portuguesa Quintela & Penalva (Q&P), uma consultora imobiliária especializada na comercialização (venda e arrendamento) de imóveis para o segmento médio-alto e alto, são sete os países que integram este grupo que os fundadores intitulam de “clube muito restrito de imobiliário de luxo da Europa”.

Além do nosso país e dos que os fundadores representam, fazem ainda parte a França, Áustria e Alemanha, com o total de 15 empresas imobiliárias, com foco na área residencial. Cada uma injeta no site da rede os imóveis que considera terem interesse global e estes são traduzidos para inglês, espanhol, francês, alemão e italiano. “Desta forma os compradores destas línguas, venham de onde vieram, encontram-nos”, referiu José Ribes Bas. No momento, o site conta com 2500 propriedades com um preço médio de €1,9 milhões.

Portugal atrai clientes

Os fundadores da EREN consideram que Portugal tem muito para oferecer, como o golfe, a natureza, os seus imóveis, e este é um mercado que tem interesse para a rede graças à sua internacionalização. “Quanto mais internacional, mais luxuoso o mercado, quanto mais clientela internacional, mais interesse recebe”, salientou Ueli Schnorf. Contou mesmo que os clientes dos países dos fundadores querem comprar em Portugal, dando como exemplos a Quinta do Lago, no Algarve, ou Lisboa. Lembra ainda que estes destinos, a que acrescenta Cascais, Estoril e Sintra, “são internacionalmente bem conhecidos”.

Francisco Quintela, sócio da Q&P, advoga que Portugal não tem mercado de luxo. Contudo, “Cascais e Estoril têm alguns imóveis que são considerados de luxo, com preços mais elevados que na capital”. Aqui a oferta é mais pequena e o produto mais exclusivo. Recentemente a sua empresa vendeu uma casa na Quinta da Marinha, em Cascais, por €7,5 milhões a um francês e um apartamento no Chiado, também a um natural deste país, por €2,7 milhões. A entrada para a EREN tem como intuito “captar mais investimento estrangeiro”.

Sítios ‘caros’

Mesmo assim, os preços referidos em território nacional estão longe do negócio de €120 milhões realizado por Giancarlo Bracco, na venda de uma propriedade em Porto Cervo, na Sardenha. Este é, segundo Ueli Schnorf, o local com preços mais altos em Itália. Na senda das localizações europeias mais caras, que intitula de hotspots (pontos estratégicos), aponta a Côte de Azur em França, Marbelha em Espanha, Algarve em Portugal e as ilhas gregas, entre outros. Cada país tem o seu hotspot e há quem não se importe de pagar mais para aí estar.

E quem compra? Os europeus do Norte, compram no Sul. Depois existem, como explica Giancarlo Bracco, clientes que chegam da Ásia, América do Sul e dos países da antiga União Soviética, atraídos pela cultura, estilo de vida, história e produtos únicos que a Europa tem para oferecer. Para José Ribes Bas, “os melhores ativos mantêm o valor e este vai aumentar com o tempo”.