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“Truques” para poupar na condução

Acabaram de me dizer no corredor da SIC: “Conduzo há 20 anos e não sabia que estava a conduzir tão mal...”. Não é conduzir mal no sentido da segurança ou do civismo. É no sentido puramente económico

Pedro Andersson/SIC

Para uma reportagem do “Contas-poupança” (rubrica do Jornal da Noite, na SIC, emitida recentemente) frequentei um curso de de condução eco-eficiente. Esta formação normalmente é para empresas e motoristas profissionais, mas as dicas servem, obviamente, para todos.

Aprendi imenso. Verifiquei, em primeiro lugar, que nunca ninguém me ensinou nas aulas de condução (nos anos 90) a conduzir de forma "económica". Não havia essa preocupação. Hoje, com a questão ecológica e o preço dos combustíveis, faz todo o sentido conduzir de forma a gastar o menos possível de combustível para chegar ao mesmo sítio e mais ou menos à mesma hora. Eis o que aprendi.

Conduzir com calma pode ajudá-lo a poupar centenas de euros por ano em combustíveis. Como? Conduzi um carro cheio de sensores que registaram todos os meus gestos de condução, a caixa de velocidades, as rotações, a velocidade, etc.

Primeira conclusão: ao longo destes últimos 25 anos, tenho gasto - sempre que meto a primeira - cerca de 90 l/100 km. Uma brutalidade. Sempre "estiquei" a primeira antes de meter a segunda velocidade e assim sucessivamente. Eu sei que é óbvio, mas ver isto num gráfico abre os nossos olhos. Nunca mais vou esquecer aqueles riscos pretos quase a chegar aos 100 litros aos 100.

Agora, o mais extraordinário (para mim, que não percebo nada de carros): não acelerar em primeira quando arranco. É passar do oitenta, não para o 8, mas para o ZERO. O carro avança um bocadinho e meto logo a segunda. Resulta! Apenas em carros a diesel - a gasolina é mais complicado. Só aqui já ganhei o dia.

Segunda dica importante: meter a velocidade seguinte sempre antes das 2 mil rotações (desde que a inclinação do terreno permita, claro).

Em muitas situações, carrego no acelerador a fundo ou quase. Percebi que para manter uma determinada velocidade muitas vezes basta dar pequenos toques suaves no acelerador. A diferença no consumo é abismal. Acelerar a fundo é como "abrir uma torneira gigante para encher um copo de água", explicou-me o formador António Macedo.

Assim que vir uma fila de trânsito, tire imediatamente o pé do acelerador. Se fizer isso, muitas vezes acontece que quando chegar ao fim da fila ela já está a andar outra vez. Desta forma poupa todo o percurso de aceleração a partir do zero, que é o mais "caro". Se acelerar ainda com alguma velocidade, em segunda ou terceira para recuperar velocidade, sai mais "barato".

Aprendi também que descer em "ponto morto" não só não é seguro como não poupa nada, pelo contrário. Os carros mais recentes têm um sistema que corta a alimentação de combustível sempre que deteta que o motor está acima das 1.100 rotações e que tirou o pé do acelerador. Gasta zero nas descidas ou em terrenos planos em que consegue manter a velocidade. Eu pensava que, como estava por exemplo a 3 mil rotações, estava a gastar imenso.

Claro que estas minhas observações são de quem tem um carro que não tem computador de bordo. Se tiver, coloque na opção ver "consumo instantâneo" e vai perceber que todas estas dicas têm lógica. E vai começar a conduzir como se fosse um jogo em que ganha quem poupa mais para fazer os mesmos quilómetros.

Outra dica útil para mim foi perceber que não só posso como devo mudar de segunda diretamente para quinta ou sexta. Nas aulas de condução ensinaram-me que tinha de usar a sequência das velocidades. Ao olhar para os gráficos compreendi que posso poupar bastante por fazer isto desde que o percurso permita.

Nas horas de ponta, pode poupar metade do combustível simplesmente por engatar a primeira ou a segunda e deixar o carro ir sem se preocupar com os carros atrás ou se vão meter-se à sua frente. Dois carros semelhantes (com os sensores) na Ponte 25 de Abril fizeram o teste. Um, sempre colado ao da frente, gastou 20 litros aos 100 para fazer 7 km. O outro engatou a primeira e foi andando. Só gastou 9 l/100 km. E chegaram lá à frente ao mesmo tempo com uma diferença de 4 ou 5 carros. É uma questão de mentalidade.

Nas descidas, se arrancar em segunda, também poupa. Pode perfeitamente andar em 5ª ou 6ª a 50 ou 60 km/hora. Eu pensava que era só nas autoestradas, a velocidades altas.

Depois de aprender estas dicas, repeti exatamente o mesmo percurso na zona de Sintra. Na segunda volta, gastei menos 1,7 litros aos 100. Uma poupança de 20% no consumo de combustível. Feitas as contas, equivale a um desconto de 25 cêntimos por litros que dá a si próprio. 5 dos 17 km do percurso foram feitos com consumo zero, aplicando estas dicas. Ou seja, 30% da distância foi de "graça".

Mais dicas. A velocidade constante mais económica é 90 km por hora e a seguir, em autoestrada, são os 110 km por hora. Sempre que andar acima disso está a pagar cara a velocidade. E passe a desacelerar em vez de travar, sempre que possível. Aprendi também que é possível estacionar e sair do estacionamento nem tocar uma única vez no acelerador. Só usando a embraiagem.

Voltando a analisar os gráficos, a conclusão é que se passar a conduzir assim e fizer 10 mil km por ano vou poupar 195 euros. Na prática estou a oferecer a mim próprio 4 depósitos de combustível por ano. Quando pegar hoje no carro, pense nisto.