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Caixa com prejuízos de 189,3 milhões até setembro

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São os primeiros resultados apresentados pela nova equipa de gestão, liderada por António Domingues, e apesar de serem melhores que os do semestre anterior, são muito piores quando comparados com os lucros obtidos no mesmo período de 2015

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) fechou os primeiros nove meses do ano com prejuízos de 189,3 milhões de euros, divulgou o banco na sexta-feira em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Este resultado é melhor que as perdas de 205 milhões dos primeiros seis meses do ano, mas muito piores se comparadas com os lucros de 3,4 milhões de euros registados no mesmo período de 2015.

A justificar estes prejuízos está, pelo lado negativo, a redução da atividade doméstica, e, pelo lado postivo, a melhoria da atividade internacional que ajudou a que as contas não fossem piores.

Assim, de acordo com o documento divulgado na sexta-fera à noite pelo banco, a atividade doméstica registou prejuízos de 348,1 milhões, ou seja, muito acima dos prejuízos de 81,3 milhões de euros do mesmo período de 2015. Em causa, explica a CGD, está, entre outros, a "redução dos resultados de operações financeiras em 353,8 milhões de euros e das comissões líquidas".

Já a atividade internacional registou lucros de 158,8 milhões de euros nos nove primeiros meses do ano, "acima dos 117,2 milhões do semestre e dos 84,7 milhões positivos contabilizados há um ano".

"O resultado líquido obtido pela atividade internacional nos primeiros nove meses de 2016 teve como maiores contribuidores a Sucursal de França (62,1 milhões de euros, incluindo o impacto do referido proveito não recorrente), o BNU Macau (45,2 milhões de euros), o BCG Angola (18,9 milhões de euros), o BCG Espanha (15,7 milhões de euros) e o BCI Moçambique (9,8 milhões de euros)", pode ler-se no comunicado.

Outro factor que pode ter levado o banco a ter estes prejuízos diz respeito a uma dimuinuição do produto bancário alcançou, que ficou nos 1.182,2 milhões de euros em setembro de 2016, ou seja, menos 432,8 milhões de euros face ao período homólogo de 2015. Isto deveu-se “à redução em 370 milhões de euros nos resultados de operações financeiras”.

Também as comissões líquidas caíram para 344,7 milhões de euros até setembro, menos 8,1% em termos homólogos.

Imparidades só no final do ano

A CGD, que desde 31 de agosto é liderada por António Domingues, ex-administrador do BPI (um banco privado), decidiu não apresentar nestas contas trimestrais o valor das imparidades, mas explica porquê.

"Desde o início de funções a 31 de agosto de 2016, a nova administração, no contexto do plano de recapitalização e com conhecimento das entidades reguladoras, tem em curso a reavaliação do valor dos ativos e de potenciais contingências da CGD e das necessidades de imparidades correspondentes, que por não estar concluído, não se encontra refletido nas contas agora divulgadas. Este exercício deverá estar concluído antes do encerramento das contas referentes a 31 de dezembro de 2016 e será refletido nas demonstrações financeiras referentes ao ano de 2016", pode ler-se no comunicado enviado à CMVM.

Ora, saber este valor é relevante porque o aumento de capital que a Caixa está a levar a cabo é para cobrir essas mesmas imparidades.

Para já, e segundo foi anunciado na sexta-feira pelo Governo, sabe-se que o teto máximo da recapitalização será de 2,7 mil milhões, um dado que a própria Caixa acrescenta nas suas contas. "O plano de recapitalização prevê um aumento de capital de até 2.700 milhões de euros para cobrir as necessidades de imparidades referidas", diz o comunicado.

O plano de recapitalização da Caixa é uma das metas deste Governo, mas tem sido ensombrado pela polémica da apresentação das declarações de património e de rendimentos dos novos gestores, que até agora se recusou a fazê-lo, mesmo depois de o Tribunal Constitucional já ter dito que estão obrigados a isso.