Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Bolsas mundiais com ligeira queda na segunda semana do ‘choque’ Trump

Itália, as mais importantes economias da Europa de Leste, Bélgica, Índia, Tailândia, México e Indonésia são as principais vítimas desde 8 de novembro. Nova Iorque continua a ser o mercado financeiro ganhador

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas mundiais perderam ligeiramente esta semana, a segunda do ‘choque’ Trump. O índice MSCI global desceu 0,04%. Desde 8 de novembro, dia das eleições presidenciais nos Estados Unidos, acumula uma perda de 0,4%.

Na semana da vitória de Trump, o índice mundial ganhou 2,2%, com as bolsas de Nova Iorque a puxarem pelos ganhos, registando uma subida de 3,7%. A Europa ainda conseguiu ficar acima da linha de água nessa primeira semana. Mas os mercados emergentes e a Ásia Pacífico pagaram duramente a fatura do presidente eleito que pretende avançar com uma política protecionista e diminuir o custo do papel dos Estados Unidos como “polícia’ dos equilíbrios geopolíticos e regressar a uma nova divisão de “zonas de influência” entre granded potências, como alertou o analista financeiro Marc Chandler.

Na segunda semana do ‘choque’, a situação global piorou. Wall Street fechou inclusive no vermelho na sexta-feira. O pior desempenho semanal situou-se precisamente na Europa, cujo índice MSCI recuou mais de 2%. Desde 8 de novembro, este índice, relativo a 15 economias europeias, perdeu 3,1%.

Atenas destacou-se pela positiva, na Europa e no mundo, com o seu índice bolsista a ganhar 5% durante a semana. A Grécia deixou de estar no foco da crise das dívidas soberanas na zona euro e o presidente norte-americano Obama deu, esta semana, um empurrão à causa de uma segunda reestruturação da dívida helénica, na sua visita a Atenas.

O índice PSI 20, na Bolsa de Lisboa, avançou 0,99% em termos semanais. Desde 8 de novembro, acumula uma perda de 3,1%.

Na Ásia Pacífico, uma região abrangendo cinco economias desenvolvidas e oito emergentes, a quebra semanal do índice MSCI respetivo foi de quase 1%. Mas, o índice Nikkei 225, de Tóquio, ganhou 3,4% esta semana.

Os mercados emergentes, que foram os mais castigados desde a eleição de Donald Trump para a presidência dos EUA, perderam, esta semana, apenas 0,54%. Desde o dia 8 de novembro, o índice MSCI para os emergentes afundou-se 6,5%.

As bolsas de Nova Iorque, a vários quarteirões da Trump Tower, são as que, até à data, saíram ganhadoras daquela vitória – o índice MSCI para os EUA subiu 0,86% esta semana e acumula um ganho de 1,95% desde 8 de novembro.

Os ingredientes que animaram as cotadas norte-americanas, sobretudo em Wall Street, são conhecidos: desregulação financeira (o alvo é a lei Dodd-Frank contra a especulação promulgada por Obama), desregulamentação nos sectores de combustíveis fósseis; política fiscal e aduaneira favorável à relocalização de indústrias e serviços em solo americano; e impulso orçamental a investimentos em infraestruturas, prevendo um corte de impostos de 137 mil milhões de dólares para os investidores e empreiteiros privados nessa área.

As principais vítimas do ‘efeito Trump’ foram as bolsas da Kiev, Milão e Varsóvia na Europa, que perderam mais de 3% desde 8 de novembro, seguidas de Mumbai, na Índia, que recuou 2,6%. Com perdas entre 1% e 2%, Bruxelas, Praga e Budapeste na Europa, e Banguecoque, Cidade do México e Jacarta nos mercados emergentes.

No caso de Itália, o 'choque' Trump acentuou o risco político e a incerteza sobre os resultados do referendo constitucional que se realizará a 4 de dezembro.