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Emergentes perderam 6% desde a vitória de Trump. Bolsas de Lisboa e Madrid recuaram mais de 3%

Bolsas de Nova Iorque ganharam 1,7% desde 8 de novembro. Europa e Ásia Pacífico perderam mais de 2%. Seis países mais afetados: México, Ucrânia, Indonésia, Índia, Portugal e Espanha

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas mundiais fecharam na quarta-feira no vermelho com uma queda ligeira de 0,11% no índice global MSCI, depois de duas sessões com ganhos.

A novidade de ontem nas bolsas foi o registo de quedas dos índices em Nova Iorque e sobretudo globalmente na Europa. O índice MSCI para a Europa que abrange 15 países (13 da União Europeia mais Noruega e Suíça, e que inclui a Bolsa de Lisboa) e abarca 446 cotadas recuou 0,72%, depois de ter subido 0,35% no dia anterior. Em Nova Iorque, o índice MSCI perdeu 0,15%, depois de duas sessões consecutivas com ganhos.

Fazendo uma avaliação do impacto do choque político provocado pela vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais norte-americanas de 8 de novembro, os mercados emergentes, no seu conjunto, são, até ao momento, as principais vítimas. Entre 8 e 16 de novembro, o índice MSCI para 23 economias emergentes (que incluem Grécia, Hungria, Polónia e República Checa na União Europeia) perdeu 6,1%. Há quatro mercados mais penalizados: México, Ucrânia, Indonésia e Índia.

Na segunda linha do embate, estão as regiões da Ásia Pacífico e da Europa. O índice MSCI para 5 mercados desenvolvidos e 8 emergentes (estão também presentes no índice para o conjunto dos emergentes) na Ásia Pacífico recuou 2,4% no período pós vitória de Trump.

No caso do índice MSCI para a Europa, a queda foi também de 2,4%. Há duas bolsas mais penalizadas na zona euro: Lisboa e Madrid. No período referido, o PSI 20 recuou 3,7% e o Ibex 35 perdeu 3,3%. À escala mundial, os dois países ibéricos juntam-se aos quatro emergentes referidos com quedas superiores a 3%.

Vencedor indiscutível na primeira semana de impacto

O ganhador indiscutível foi Wall Street. O índice MSCI para os EUA avançou 1,7% desde 8 de novembro. Os investidores estão a apostar no pacote orçamental expansionista da futura Administração Trump, na desregulação financeira em vista e em sectores como os dos combustíveis fósseis, e nas descidas de impostos que favoreçam a relocalização de atividades que se externalizaram para redes globais de fornecedores e faturação no exterior. Segundo os conselheiros económicos do futuro presidente, o impulso infraestrutural poderá ser feito através da privatização de bens públicos e o posterior aumento das tarifas dos serviços e utilização.

O mercado financeiro ainda não está a avaliar “a dose exata de protecionismo” que poderá advir de mexidas nas tarifas alfandegárias nomeadamente em relação ao México e China. Como sublinhou Olivier Blanchard, ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional, num balanço publicado, esta semana, pelo Peterson Institute, o efeito global só poderá ser avaliado depois de medidos os impactos do pacote orçamental expansionista e das medidas protecionistas. O que nos empurra para o final de 2017, apesar dos mercados financeiros anteciparem movimentos futuros. Blanchard sublinha o carácter contraditório, em termos de efeitos macroeconómicos, de várias medidas elencadas no impulso orçamental e fiscal expansionista e na retração protecionista, e mesmo dentro de cada “gaveta”.

Impacto geopolítico ainda muito preliminar

Também, ainda, não se está a avaliar o impacto geopolítico inclusive de possíveis novas orientações da futura Administração Trump no plano da geoeconomia. Marc Chandler, analista de Wall Street, sublinhava ontem que “um recuo dos Estados Unidos na cena [geoeconómica] mundial, se for isso que implica a morte do TTP (Tratado Transpacífico) e a ameaça de saída dos EUA do NAFTA (Tratado Norte-Americano de Comércio Livre, com Canadá e México), poderá trazer de volta as esferas de influência, a abordagem que a Rússia e a China têm defendido”.

O que estará em causa não é só um recuo da globalização, nomeadamente um retrocesso maior nas redes globais de fornecedores e na externalização de empresas, mas um impacto sério no comércio internacional mundial, e nas economias mais abertas que vivem como pão para a boca das exportações.

À escala mundial, o índice MSCI global perdeu 0,3% desde a vitória de Trump.