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Banco central norte-americano deverá subir as taxas de juro "em breve"

No seu testemunho perante a Comissão Económica Conjunta do Congresso dos EUA, a presidente da Fed considerou esta quinta-feira que manter as taxas de juro nos níveis atuais tão baixos "por muito tempo" poderá encorajar risco excessivo. Mercado de futuros aponta para uma subida agora em dezembro e outra em meados de 2017

Jorge Nascimento Rodrigues

“O comité [de política monetária do banco central norte-americano] considerou, na sua reunião do início deste mês, que se continuou a reforçar a opção por um aumento no intervalo das taxas de juro e que tal subida poderá tornar-se apropriada relativamente em breve”, refere Janet Yellen, a presidente da Reserva Federal (Fed, o banco central dos Estados Unidos), no seu testemunho, previamente divulgado, perante a Comissão Económica Conjunta do Congresso esta quinta-feira em Washington. A audição inicia-se às 10 horas locais (15 horas em Portugal).

A presidente da Fed, naturalmente, repete na sua declaração o que tem dito, que essa opção estará sempre dependente de dados macroeconómicos que surjam. No entanto, sublinha que a situação tem evoluído positivamente nos EUA quanto ao mercado laboral (com uma taxa de desemprego em 4,9% em outubro) e à inflação (1,6% em termos homólogos em outubro). Mas tempera o otimismo referindo que o trabalho a tempo parcial involuntário “continua elevado em termos de norma histórica” e que as taxas de desemprego nos afro-americanos e hispânicos continuam acima da média nacional e que os níveis de rendimentos desses dois grupos estão “muito abaixo” da média.

Contudo, Yellen diz aos membros da Comissão do Congresso que “manter as taxas de juro (federal funds rate) no seu nível atual [no intervalo entre 0,25% e 0,50%] por demasiado tempo poderá também encorajar risco excessivo e, em última análise, minar a estabilidade financeira”.

A presidente da Fed reafirma, no entanto, que o processo de subida das taxas de juro deverá ser “gradual”. “Aumentos graduais na taxa de juros deverão ser suficientes para manter uma atitude neutral na política monetária nos próximos anos”, refere Yellen, contrastando com pressões para subidas menos gradualistas. Para ela, a política monetária norte-americana tem de continuar a ser “moderadamente acomodatícia” e uma precipitação para um aperto abrupto deve ser evitada.

O mercado de futuros das taxas de juro da Fed aponta para uma probabilidade de 90,6% para uma decisão de aumento para o intervalo entre 0,5% e 0,75% já na próxima reunião de 14 de dezembro, a última do ano. Um aumento para o intervalo entre 0,75% e 1% tem uma probabilidade de 36,4% para a reunião de 14 de junho de 2017.

O Comité de Política Monetária da Fed (designado por Federal Open Market Committe, sigla FOMC) é formado por 12 membros, sete dos quais do conselho federal de governadores atualmente presidido por Yellen. No entanto, há duas vagas em aberto no conselho federal que o Congresso não preencheu até à data e que se espera que, na Administração Trump, venham a ser preenchidas. Janet Yellen, a presidente, e Stanley Fisher, o vice-presidente, terminam os mandatos em 2018, e os analistas duvidam que sejam reconduzidos pela nova Administração.