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As eólicas estão a ficar velhas e os incentivos estão a acabar. E agora?

José Carlos Carvalho

Empresas de renováveis querem que o Governo defina uma nova forma de pagar a remodelação das eólicas antigas e tem alguma urgência porque já há apoios a acabar e ventoinhas a precisar de serem substituídas. E ninguém quer fechar os parques

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

Portugal é um dos países da Europa que mais tem investido em energia eólica, tendo atualmente mais de 5000 MW de potência instalada. Mas as ventoinhas não duram para sempre e, daqui a uns quatro anos vai ser preciso renová-las ou substitui-las (repowering).

Para o administrador da EDP Renováveis, António Lobo Gonçalves, a solução mais adequada é mesmo o repowering, que na prática é fazer quase um parque eólico novo porque não se trocam só as turbinas mas também as torres e as pás, e ainda se aumenta a potência instalada.

“Hoje já consigo com apenas uma máquina substituir seis. Os impactos ambientais são muito menores”, disse esta quarta-feira à margem da conferência anual da Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN), da qual também é vice-presidente da direção. Além disso, acrescentou, este processo é mais barato que fazer um parque novo noutro local porque se aproveitam as infraestruturas já existentes debaixo do solo.

Acresce ainda que, não só o Governo não pretende lançar mais concursos como as zonas com bom vento que ainda estão disponíveis são áreas onde não se pode construir nada. “Portugal ainda tem muitos sítios bons com potencial eólico, mas são áreas protegidas e não é possível licenciar. A grande alternativa depois do repowering é mesmo o offshore”, reparou.

O problema é que, ainda antes dos parques entrarem em fim de vida útil, ou seja, atingirem os 20 anos, os incentivos (feed-in-tariff) que as empresas recebem hoje pela produção desta energia vão começar a acabar e sem esse apoio vai ser difícil investir nessa renovação. A alternativa é fazer novos projetos, o que não está previsto pelo Governo, ou então fechar parques e isso ninguém quer.

“Portugal não pode perder estes ativos, mas para fazer isso é preciso haver investimento e, portanto, uma remuneração adequada e facilidade de licenciamento. Porque estamos a substituir máquinas antigas em maior número por menos máquinas e mais potentes”, disse António Lobo Gonçalves.

“Não precisamos de subsídios nem de feed in tariff. Queremos saber com que remuneração contamos e precisamos de um diploma legal onde isso esteja definido. Por exemplo, pode haver um leilão em que se estabelece uma tarifa, que é a de mercado, e cada concorrente diz sobre esse valor quanto é que desconta ou quanto é que sobe, ou seja, estabelece-se uma base e o produtor sabe sempre o máximo e o mínimo que recebe”, disse.

Para António Lobo Gonçalves este diploma legal tem de começar a ser definido o mais depressa possível porque já há eólicas em fim de vida útil, ou seja, a chegar aos 20 anos, e porque em 2023, metade da potência instalada no país (2500 MW) vai perder essa tarifa bonificada.

“Não vamos estragar tudo o que foi feito até agora. Eu acredito na bondade dos nossos políticos e que muito brevemente este problema vai ficar ultrapassado”, notou.