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Lucros da EasyJet caem 28%

PHILIPPE HUGUEN / AFP / Getty Images

Fatores externos como greves, atentados e a desvalorização da libra tiveram um impacto de 280 milhões de euros nas contas da companhia aérea britânica. A operação em Portugal beneficiou da transferência de tráfego para a Península Ibérica e cresceu 10%, acima da média da rede da empresa

O lucro antes de impostos da EasyJet caiu 28% em 2016, ano fiscal que terminou a 30 de setembro, para perto de 576 milhões de euros, o que a companhia aérea de baixo custo justifica com a desvalorização da libra, as greves e os atentados terroristas que marcaram o último ano.

“São fatores externos que tiveram um impacto forte na nossa organização”, considera José Lopes, diretor comercial da EasyJet em Portugal. Em declarações ao Expresso, sublinha: “O resultado da companhia, tendo em conta o ano que passou, é satisfatório”.

Também o Brexit teve um impacto significativo na empresa, já que é a “única companhia que reporta as suas contas em libras. Mesmo a IAG (que junta a British Airways e a Iberia) reporta em euros”, adianta José Lopes. As flutuações cambiais tiveram um efeito de 90 milhões de libras nos resultados da empresa, detalha o responsável, sendo que “um terço desse total (30 milhões de libras – 35 milhões de euros) esteve diretamente relacionado com o Brexit”.

Os fatores externos como os atentados terroristas ou as greves tiveram um impacto de mais 150 milhões de libras (174,3 milhões de euros). “Tudo somado, são 240 milhões de libras (279 milhões de euros) nas nossas contas”.

Ainda assim, no último ano, com 73,1 milhões de passageiros transportados e uma taxa de ocupação de 91.6%, a EasyJet fala em “recorde” e um crescimento anual de 6,6%, salientando a sua “capacidade de estimular a procura, mesmo em mercados desafiantes”.

Carolyn McCall, CEO da companhia aérea, destaca um “desempenho resiliente” em 2016, “perante fortes desafios que incluíram um conjunto de acontecimentos externos e turbulências cambiais”. “A equipa trabalhou afincadamente durante o ano para reduzir custos e fortalecer as nossas posições de liderança de mercado”, acrescentou esta terça-feira.

A líder da companhia aérea britânica destaca o tema da fidelização de passageiros, que continua a aumentar – “54 milhões de passageiros voltaram a viajar com a EasyJet em 2016, ou seja, mais 21 milhões do que há cinco anos”.

No próximo ano, promete Carolyn McCall, “praticamente metade do nosso crescimento será no Reino Unido, com um crescimento significativo também na Suíça, em França e em Itália”.

Crescimento em Portugal

De acordo com José Lopes, Portugal está a crescer acima da média europeia da rede da EasyJet, que varia entre os 6% e os 7%. Portugal regista um crescimento de 10%, pelo que “este último ano fiscal foi muito bom para a EasyJet Portugal. Em parte fruto destes fatores externos, que fizeram um shift (mudança) de tráfego para a Península Ibérica”.

Segundo o responsável pela empresa em Portugal, a EasyJet foi a companhia de aviação que mais cresceu em Portugal no último ano, com mais 860 mil passageiros transportados do que no ano anterior e um ganho de um ponto percentual na quota de mercado (para 12,8%).

A companhia superou os objetivos que tinha estipulado, ultrapassando os dois milhões de passageiros transportados em Lisboa (2,1 milhões – crescimento de 11%) e o total de cinco milhões de passageiros em Portugal (chegou aos 5,4 milhões), o que representa um crescimento de 19%, “quase o dobro do sector do turismo”, avança José Lopes. A taxa de ocupação chegou aos 95%, mais 0,7 pontos percentuais face ao ano anterior.

José Lopes destaca o crescimento próximo dos 40% no Porto, o que reflete “uma aposta na região Norte de Portugal”. Ainda este mês, o boletim publicado pela Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC), relativo ao trimestre entre julho e setembro, mostrava que a EasyJet ganhou a segunda posição no aeroporto Francisco Sá Carneiro (que pertencia à TAP), a seguir à Ryanair.

Os principais objetivos da companhia para o próximo ano são ultrapassar os seis milhões de lugares oferecidos no país, ultrapassar a fasquia dos 1,5 milhões de passageiros no Porto e 500 mil passageiros no Funchal. Nesta última rota, que foi aberta em maio do ano passado, a EasyJet conta acrescentar 100 mil lugares este ano. Além do aumento da oferta no mercado doméstico, que liga Lisboa e Porto ao Funchal, a EasyJet vai reforçar as ligações Funchal-Londres (com mais 15 mil lugares) e Funchal-Basileia (mais 15 mil lugares), que iniciará a 6 de dezembro.