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Um hotel que é a “cara” do Príncipe Real

LISBOA À VISTA. O quadro contemporâneo de D. Pedro V, o 'príncipe real', marca a entrada do hotel

Já abriu o Memmo Príncipe Real, o primeiro hotel de cinco estrelas no bairro lisboeta que põe a fasquia em diárias de 320 euros e taxas de ocupação de 75%

Trazer o bairro de Lisboa para dentro do hotel, foi o conceito que moveu o Memmo Príncipe Real, que abriu ao público no final de outubro em 'soft opening', e irá inaugurar oficialmente até ao final do ano. É o primeiro hotel de cinco estrelas a abrir na zona do Príncipe Real e envolveu investimentos de €8,5 milhões. Nesta fase inicial, já está com taxas de ocupação de 70% e diárias acima de 200 euros. Para 2017, a previsão é atingir ocupações médias de 75% e diárias a preços de 320 euros.

“O desafio neste projeto foi ter a oferta mais 'premium' da Memmo Hotels e num bairro tão especial como o Príncipe Real, que tem uma combinação única de edifícios clássicos e aristocráticos com uma atmosfera de juventude e irreverência. Nas ruas há palácios que viraram um 'shopping' de lojas de conceito, há aqui uma mistura muito própria de 'movida' e tranquilidade”, faz notar Rodrigo Machaz, diretor-geral da Memmo Hotels, grupo hoteleiro português de que também são administradores José Luis Carrilho de Almeida, João Corrêa Nunes e Manuel Carrilho de Almeida.

'MIRADOURO SECRETO'. Com acesso através de um pequeno túnel, o hotel no Príncipe Real procurou tirar partido da vista sobre a cidade

'MIRADOURO SECRETO'. Com acesso através de um pequeno túnel, o hotel no Príncipe Real procurou tirar partido da vista sobre a cidade

Com arquitetura assinada por Samuel Torres de Carvalho, o hotel fica no coração do Príncipe Real, mas um pouco escondido: para lá chegar é preciso passar um pequeno túnel, ao lado da esplanada do Lost In, no objetivo de “levar a um secreto miradouro com vistas panorâmicas de Lisboa”, localizando-se o hotel “como que suspenso no topo da colina”.

A construção foi feita de raiz, já que no local havia “um complexo de barracos” sem qualquer valor patrimonial, e que foram derrubados. Um deles era um pequeno armazém onde havia uma série de azulejos antigos, que foram aproveitados na decoração das casas de banho do hotel.

Logo à entrada, pode ver-se um quadro contemporâneo, da autoria de Barahona Possolo, retratando D. Pedro V - epitetado de 'príncipe real' -, onde também figuram vistas de Lisboa e até o lagarto que faz parte do logo da Memmo. “É uma peça importante do hotel, que quiséssemos que fosse marcado por obras de artistas portugueses”, frisa Rodrigo Machaz, chamando a atenção para o painel de estuque de Iva Viana no balcão de receção ou os quadros de Miguel Branco, dominados pelo ambiente de macacos.

QUARTOS. A particularidade do hotel é que se entra no quarto pela casa de banho

QUARTOS. A particularidade do hotel é que se entra no quarto pela casa de banho

Os 41 quartos do hotel são marcados por detalhes, como candeeiros produzidos na Marinha Grande ou pousa-casacos recriando a alfaiataria do Príncipe Real. Numa homenagem à fábrica de chapéus que existe no bairro, todos os dias são deixadas nos quartos sugestões de passeios em Lisboa por baixo de um chapéu de coco.

No segmento dos cinco estrelas, o hotel Memmo quer posicionar-se de forma particular. “Isto não é um Ritz, é um hotel contemporâneo com toques de clássico”, frisa Rodrigo Machaz, lembrando que “hoje em dia, as coisas simples tornaram-se o novo luxo” e “há um vazio entre a hotelaria tradicional de cinco estrelas e a hotelaria de luxo, e nós tentamos povoar o território que está no meio”.

SABORES LUSÓFONOS. O desafio foi “fazer um restaurante virado para fora e trazer a comunidade de Lisboa para dentro do hotel”

SABORES LUSÓFONOS. O desafio foi “fazer um restaurante virado para fora e trazer a comunidade de Lisboa para dentro do hotel”

Com a marca 'Café Colonial', o restaurante e bar do hotel procura ser “uma viagem dos sabores portugueses pelos sabores do mundo”, numa cozinha com influências de várias geografias. “A ideia não foi fazer um restaurante só português ou asiático, mas brincar com os ingredientes e ter uma carta a preços acessíveis para o mercado português poder vir aqui”, explica o responsável da Memmo Hotels.

“Neste projeto há duas realidades: quisemos fazer um hotel 100% virado para turistas, mas um restaurante aberto a Lisboa e à comunidade local. O objetivo é trazer os lisboetas e a 'movida' da cidade para dentro do hotel”, salienta ainda o hoteleiro.

DECORAÇÃO. Os azulejos encontrados num armazém das anteriores instalações foram usados nas casas de banho do hotel

DECORAÇÃO. Os azulejos encontrados num armazém das anteriores instalações foram usados nas casas de banho do hotel

O grupo também é proprietário do hotel Memmo Baleeira em Sagres, que teve “o melhor ano de sempre” com taxas de ocupação de 60% e preços médios das diárias de 160 euros. Em Lisboa, o hotel Memmo Alfama atingiu ocupações de 94% e diárias de 230 euros. Face à abertura do Memmo Príncipe Real, e com três hotéis em funcionamento, a previsão do grupo é ultrapassar 10 milhões de euros de faturação em 2017.

Tendo mais projetos em vista em Lisboa e no Porto, com localizações “sempre em bairros históricos”, a perspetiva do grupo é “construir uma coleção de hotéis” em que cada unidade seja diferente da outra. Como salienta Rodrigo Machaz, “não queremos repetir os hotéis, e até costumamos dizer que não vamos fazer 'mais do Memmo'”.

Segundo o hoteleiro, “o turismo em Portugal está num momento único, e a tornar-se uma onda gigante, que é preciso surfar bem. O charme de Lisboa é ser pequena, genuína, e não se pode destruir esta escala humana nem transformar a cidade num 'guetto' turístico. O nosso país tem a vocação do turismo, mas é preciso criar aqui uma estratégia nacional a pensar nos nossos netos”.