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Edifício da reitoria financia obras no Pavilhão de Portugal

O Pavilhão de Portugal 
chegou a estar na calha 
para ser vendido no ano passado para regularizar 
parte da dívida 
da Parque Expo ao Estado

Alberto Frias

O pavilhão projetado por Siza Vieira vai ser reconvertido em centro de congressos e deverá estar concluído em 2018

A venda do Palácio Centeno, a antiga reitoria da Universidade Técnica de Lisboa, vai financiar as obras do Pavilhão de Portugal, que será reconvertido em centro de congressos. O edifício do século XVIII, de arquitetura barroca, localizado no Campo Mártires da Pátria, de quatro pisos e que integra ainda uma capela, faz parte do lote de imóveis que a Universidade de Lisboa tem para alienar e que aguarda autorização de venda por parte do Ministério das Finanças.

Entretanto, o projeto de intervenção do Pavilhão de Portugal, assinado por Siza Vieira, “deverá estar pronto dentro de um mês, seguindo-se todo o processo de licenciamento por parte das entidades competentes — que não são poucas, porque é um imóvel classificado — e depois o projeto de execução”, adiantou ao Expresso o reitor António Cruz Serra, da Universidade de Lisboa. Espera-se que a obra esteja concluída em 2018.

A reconversão deste emblemático edifício em centro de congressos prevê um auditório com 700 lugares e toda a reorganização do espaço interno, que tire o máximo partido de uma localização singular, numa das zonas mais atrativas na capital. Aqui, também o Meo Arena é procurado para congressos, mas com uma escala muito superior, como está a acontecer agora com a Web Summit.

“Além do centro de congressos, teremos uma área de exposições quer permanentes quer temporárias, uma cafetaria, uma biblioteca, onde vamos ter, espero eu, todas as semanas, eventos com gente nossa a fazer divulgação científica e a discutir os grandes temas de Portugal e do mundo e das políticas públicas”, referiu o reitor. O grande objetivo, reforça, “é virar o pavilhão para a cidade, para a sociedade e utilizá-lo para promover a universidade e a ciência que se faz em Portugal”.

O reitor não adianta o valor necessário para a obra, “pois tudo está dependente da finalização do projeto”, mas, acrescenta, o pavilhão terá muito por onde gastar — na ordem de alguns milhões de euros — não só nas obras novas mas na reabilitação. “O pavilhão está em muito mau estado. Estou convencido que aquilo que resultar da venda da reitoria da Técnica, por exemplo, é um valor semelhante àquilo que vai custar a reabilitação do pavilhão.”

Há quase duas décadas com pouquíssimo uso, o edifício teve o seu momento de glória durante a Expo-98, ao acolher a representação nacional portuguesa no mediático evento. Mas desde essa altura, poucos foram os momentos em que o edifício da pala emblemática (que transmite a ideia de uma folha de papel pousada em dois tijolos) foi utilizado.

Duas décadas com pouco uso

Ao longo destes 18 anos, foram várias as propostas de reaproveitamento do espaço, desde a hipótese de o transformar em sede do Conselho de Ministros até à criação de um museu de arquitetura.

Classificado como Monumento de Interesse Público pelo IGESPAR em março de 2010, o Pavilhão de Portugal chegou a estar na calha para ser vendido no ano passado para regularizar parte da dívida da Parque Expo ao Estado.

Mas, em maio de 2015, foi anunciado pelo então ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia, Jorge Moreira da Silva, que o Pavilhão seria entregue a título definitivo à Universidade de Lisboa, que ficaria responsável pela sua manutenção.

Por diversas ocasiões, o arquiteto Siza Vieira manifestou a sua desilusão com o estado de abandono a que foi votado um dos principais edifícios erigidos para a exposição mundial.

“O arquiteto Siza Vieira viu com muito agrado a transferência do pavilhão para à universidade, pela possibilidade de voltar a pôr o edifício como deve ser e ao serviço do país. Aquele é um edifício que estava ali sem solução, um edifício muito complicado e muito difícil de vender. Acho que nunca houve projeto algum para o Pavilhão de Portugal que fosse exequível.”

Nos termos do protocolo negociado com o Governo anterior, a Universidade de Lisboa obriga-se a suportar os custos de manutenção do edifício e não pode entregar a sua exploração a terceiros.