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Trump anima Wall Street, mas abala mercados emergentes e ibéricos

LUCAS JACKSON

As bolsas mundiais ganharam 2,2% na semana da vitória de Donald Trump, impulsionadas pelos ganhos de 3,7% em Nova Iorque. A Europa registou um ganho ligeiro de 0,15%, com Lisboa e Madrid no vermelho. Bolsas do Brasil, México e Argentina sofrem rombo de mais de 3%

O índice PSI 20, da bolsa de Lisboa, perdeu 2,3%, na semana de vitória de Donald Trump nas presidenciais norte-americanas de 8 de novembro. A bolsa de Madrid acompanhou Lisboa, com um recuo semanal de 1,7%. Juntamente com os mercados emergentes, as duas bolsas ibéricas foram as mais afetadas pelo ‘efeito Trump’.

Espanha ressente-se particularmente de uma esperada tensão entre os Estados Unidos e o México, em particular da ameaça aduaneira às indústrias deslocalizadas, e de algum retrocesso na normalização entre Washington e Havana.

Em Lisboa, a EDP Renováveis perdeu mais de 8,5% durante a semana, com uma derrocada acumulada de 11,5% nas duas sessões seguintes ao dia das eleições presidenciais norte-americanas. Como se sabe, os EUA são o principal mercado desta empresa em termos de capacidade instalada e produção. Esta empresa do grupo EDP está sedeada em Houston, Texas, e possui parques eólicos espalhados naquele país.

O impacto mais negativo da vitória de Trump registou-se nas economias emergentes, com um recuo semanal de 3,5% do índice MSCI respetivo. As bolsas mais afetadas foram as do Brasil, México, Argentina, e Índia com quedas semanais dos seus principais índices acima de 2,4%. O iBovespa de São Paulo caiu 3,9% e o IPC da Cidade do México recuou 3,7%. Em Buenos Aires, o Merval perdeu 3,5% e em Mumbai o Sensex desceu 2,5%.

O México esteve em destaque com um colapso de 14% da sua moeda, o peso, no primeiro momento, na noite de 8 de novembro, do impacto da vantagem de Trump na tendência de vitória em estados anteriormente de maioria Democrata na região dos Grandes Lagos e nordeste dos Estados Unidos. A queda semanal do peso mexicano foi de 8,7%.

A principal ganhadora da semana com a vitória de Trump nas presidenciais foi Wall Street. A ‘exuberância’ na reação positiva saldou-se por uma subida de 5,4% no índice Dow Jones 30, e de 3,8% nos índices S&P 500 e Nasdaq. O índice MSCI para os EUA ganhou 3,7% durante a semana, destacando-se nos índices regionais, face a um ganho de 0,15% para a Europa e a perdas de 1% para a Ásia Pacífico e 3,5% para as economias emergentes.

Na Europa, o ‘efeito Trump’ não foi idêntico em todas as bolsas. Apesar do índice MSCI para a Europa ter subido, semanalmente, apenas 0,15%, seis bolsas registaram ganhos semanais superiores a 3%, lideradas por Dublin, cujo índice avançou 5%. Nas restantes cinco bolsas europeias, os ganhos foram de 3,98% para o Dax em Frankfurt, 3,8% para o SMI em Zurique, 3,5% para o MICEX em Moscovo, 3,2% para o OMXS30 em Estocolmo e 3% para o MIB em Milão. O Eurostoxx 50 (das cinquenta principais cotadas na zona euro) registou uma subida de 2,4%. Na liderança dos ganhos neste índice, acima de 10%, bancos e seguradoras (Deutsche Bank, Axa, Société Générale, Intesa Sanpaolo e Allianz) e uma fornecedora de materiais de construção irlandesa (CRH).

Alguns analistas financeiros avisam que o choque nos mercados emergentes poderá provocar um “acidente financeiro”, mas outros salientam que as promessas de Trump de um programa de investimentos em infraestruturas (algo que tem sido reclamado globalmente pelo Fundo Monetário Internacional), de uma baixa de impostos para as empresas e para os rendimentos mais altos, de regresso da desregulação financeira com a liquidação da lei Dodd-Frank (promulgada por Obama em 2010) e dos incentivos à indústria petrolífera e do gás norte-americana poderão ser oportunidades em bolsa, incluindo para multinacionais europeias.

O preço do barril de petróleo de Brent desceu 2,2% durante a semana, baixando o preço para 44,56 dólares, colocando um maior desafio à cimeira do cartel da OPEP a 30 de novembro. O pico do ano do preço do Brent registou-se em outubro, subindo para 53 dólares, impulsionado pelo acordo informal de Argel para o regresso de um teto de produção diária.