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Efeito Trump provoca disparo dos juros na Irlanda e Itália. Prémio de risco português sem alteração

Getty

Os juros das Obrigações do Tesouro português a 10 anos subiram 19 pontos base durante a semana, um aumento muito inferior ao registado para Espanha, Irlanda e Itália. Prémio de risco irlandês e italiano lideraram subidas. Juros da dívida alemã em máximo de 10 meses

As yields das Obrigações do Tesouro português (OT) no prazo de referência, a 10 anos, subiram 19 pontos base durante a semana, mas o prémio de risco ficou praticamente na mesma.

Naquela maturidade, as yields fecharam na sexta-feira no mercado secundário em 3,49%, um nível próximo de 3,5%, que já não se observava desde o início de outubro, depois do pico de 3,6% a 7 de outubro, no auge do stresse do risco de corte de rating pela DBRS e dos rumores sobre uma redução antecipada do programa de compras pelo Banco Central Europeu (BCE).

No entanto, o prémio de risco da dívida portuguesa de longo prazo apenas aumentou ligeiramente esta semana, de 316 pontos base a 4 de novembro para 316,4 pontos base a 11 de novembro. Continua elevado face ao prémio de risco de Espanha, Irlanda e Itália, mas encurtou a sua distância, uma tendência que se tem verificado ultimamente. Um prémio de mais de 300 pontos base significa um diferencial de mais de 3 pontos percentuais em relação ao custo de financiamento da dívida alemã que serve de referência.

Máximo de 16 meses nos juros italianos

O impacto mais marcante do ‘efeito Trump’ sentiu-se em outros dois periféricos do euro, Irlanda e Itália. As yields subiram 32 pontos base para as obrigações irlandesas e 28 pontos base para as italianas no prazo de referência. No caso de Espanha, a subida foi de 21 pontos base.

O caso italiano subiu para a ribalta, com as yields a fecharem na sexta-feira ligeiramente acima de 2% no prazo a 10 anos, um máximo desde julho de 2015, e o dobro do mínimo histórico registado em agosto passado. As yields das obrigações irlandesas estão agora no triplo do mínimo histórico registado em setembro, quando desceram para 0,33%, no prazo a 10 anos; fecharam na sexta-feira em 0,99%, perto de 1%, um limiar que já não se verificava desde janeiro. No caso espanhol, as yields das obrigações no prazo de referência subiram de 0,88% em setembro, um mínimo histórico, para 1,3% a 4 de novembro e 1,5% a 11 de novembro.

O prémio de risco subiu 14 pontos base para Irlanda e 10 pontos base para Itália. Os prémios são, agora, de 171 pontos base para a dívida italiana, 120 para a dívida espanhola e 67 para a dívida irlandesa. No caso italiano, o prémio está num máximo de dois anos. O risco político associado aos resultados incertos do referendo constitucional a 4 de dezembro em Itália não tem deixado de subir. O ‘efeito Trump’ pode, também, gerar contágio em Itália, temem muitos analistas.

Juros alemães em máximo de 10 meses

A trajetória de subida das yields das obrigações alemãs (Bunds) a 10 anos não tem parado desde 7 de outubro, quando sairam do ‘clube’ dos juros negativos nesse prazo de referência, deixando o Japão e a Suíça como únicos 'sócios'. Esta semana, subiram 18 pontos base, tendo fechado em 0,32%. O ‘efeito Trump’ acentuou o impacto da pressão, sobretudo alemã (Bundesbank e ministro das Finanças), sobre a política monetária expansionista do BCE.

O ‘efeito Trump’ provocou uma subida de 35 pontos base nas yields das obrigações norte-americanas (US Treasuries), que galgaram o limiar dos 2%, fechando na sexta-feira em 2,14%, um máximo desde janeiro.

O aumento das yields das obrigações alemãs no prazo de referência atenua o aumento do prémio de risco dos quatro periféricos referidos, pois tal spread é o diferencial entre o custo de financiamento da dívida alemã e das dívidas dos periféricos.

Em trajetória de descida têm estado as yields e o prémio de risco helénico. As yields das obrigações gregas a 10 anos continuam a descer no patamar dos 7%. Recuaram 43 pontos base durante a semana, fechando em 7,33%. O prémio de risco desceu 61 pontos base para 701 pontos.

Rentabilidade italiana entra em terreno negativo

A pressão sobre a dívida italiana provocou uma caída significativa da rentabilidade da dívida obrigacionista transalpina, medida desde início do ano, segundo o índice da Bloomberg. O retorno passou de 1,85%, em terreno positivo, a 4 de novembro, para -0,77% a 11 de novembro.

A Itália entrou, agora, no ‘clube’ da rentabilidade negativa na Europa, onde só estava Portugal.

O retorno da dívida obrigacionista portuguesa agravou-se durante a semana; de -1,36% a 4 de novembro caiu para -2,4% uma semana depois. Está, ainda, abaixo de -3,0% registado no pico do stresse do rating a 7 de outubro e muito longe dos -7,5% verificados no máximo do ano de 11 de fevereiro, aquando da crise grega e da reação negativa internacional à decisão do Banco de Portugal de transferência de uma parte da dívida sénior do Novo Banco para o BES tóxico.