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Vinho do Porto. Trump não assusta exportadores

Rui Duarte Silva

O mercado americano representa 11% das exportações de vinho do Porto. A indústria vinícola local é forte

O vinho do Porto é o sector da economia portuguesa em que o mercado dos Estados Unidos tem uma maior peso relativo. Representa 11% das exportações, é o terceiro principal destino (a seguir à França e Holanda). Vale anualmente perto de 35 milhões de euros, com a particularidade de ser o campeão nas categorias especiais (Vintage, Late Bottled Vintage Colheita e Reserva).

Até ao fim de setembro, as categorias especiais (16,4 milhões de euros) representaram 76% da receita de 22 milhões de euros. Dos principais mercados, é o que apresenta um preço médio mais elevado (11,7 euros).

E como encaram os exportadores a mudança na presidência americana? "Com tranquilidade, sem a menor inquietude ou apreensão", responde António Saraiva, presidente da Associação de Empresas de Vinho do Porto (AEVP). As estratégias seguem inalteradas.

Saraiva reconhece que a eleição de Donald Trump introduz uma dose de imprevisibilidade, mas como se trata de um empresário "mais do que ninguém estará empenhado numa economia pujante". E acrescenta que o efeito Brexit, esse sim, gera algum receio nos produtores.

Ainda assim, é preciso "seguir com atenção os acontecimentos", face a eventuais medidas protecionistas tendo em conta que a indústria cvinícola nos Estados Unidos é forte.

Porto e Port

Em outubro, uma delegação do sector do vinho do Porto esteve nos Estados Unidos, no âmbito das negociações do TTIP - Transatlantic Trade and Investment Partnership, o novo acordo comercial que a União Europeia está a negociar com os Estados Unidos.

O tratado visa abolir barreiras alfandegárias e facilitar a troca e bens e serviços entre os dois continentes.

No caso do vinho, o ponto sensível desta parceria transatlântica é a proteção das denominações de origem, como Porto ou Champagne. Os Estados Unidos consideram o “Port” como um tipo de vinho, não respeitando a designação “Porto” como específica de uma origem.

O presidente da AEVP admite que a eleição de Trump conduza ao congelamento do TTIP, mas se o tratado avançar está seguro de que a denominação Porto ficará protegida. "Esse é um ponto sagrado de que o sector, como outras regiões europeias, não abdica", diz António Saraiva. Com ou sem Donald Trump na presidência. Um acordo de 2006 impede que os vinhos “Port” norte-americanos possam ser exportados para a Europa.