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Qual será a nova política energética de Trump? “Ficaria surpreendido se a aposta nas renováveis parasse“

PETRAS MALUKAS / AFP / Getty Images

O diretor-geral para a energia da Comissão Europeia está em Portugal e diz que lhe parece pouco provável que haja uma alteração às políticas energéticas dos Estados Unidos depois da vitória de Donald Trump

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

O diretor-geral para a energia da Comissão Europeia, Dominique Ristori, considera que ainda é cedo para dizer qual será a política energética dos EUA, agora que Donald Trump foi eleito Presidente, mas confia que a nova administração manterá o caminho seguido até aqui.

"As eleições foram há uns dias. É um pouco cedo para saber qual será a política energética do Presidente Trump. Mas ficaria supreendido se a aposta nas renováveis parasse, pelo benefício que têm tido e têm no país. Há muitas empresas privadas e muita inovação tecnológica envolvida", disse Ristori, esta tarde, numa conferência organizada pela REN e pelo Expresso, no âmbito da entrega do prémio REN.

O responsável acredita que a nova administração americana manterá o apoio ao novo acordo para a redução das emissões de carbono, atingido em Paris na COP21. "Os EUA tiveram um papel de relevo na concretização do acordo de Paris. O desafio agora é a sua implementação e o apoio dos EUA é essencial. Ainda é cedo para prever o que o novo Presidente irá fazer, mas estou convencido de que a nova administração verá os benfícios deste compromisso", acrescentou.

Para Ristori, o importante são os factos e neste momento "os EUA são o maior produtor mundial de petróleo e também um produtor de gás mais forte do que era há cinco anos, e isso também foi muito importante para o Presidente Obama no acordo de Paris, dada a mudança do carvão para o gás como uma das principais fontes de energia".

A verdade é que durante a campanha eleitoral nos EUA, apesar de ter falado pouco sobre qualquer medida política para a política energética Donald Trump nunca comentou nada sobre as renováveis. Apenas referiu que queria continuar a apostar no petróleo e no gás. Contudo, disse que queria reforçar a indústria do carvão, atualmente em declínio nos EUA.

Ora, o carvão é uma das fontes de energia mais poluentes, até mesmo que o gás natural, e um reforço pode fazer aumentar as emissões de CO2 e minar aquilo que foi decidido recentemente em Paris, ou seja, reduzir drasticamente as emissões de dióxido de carbono, de forma a que o aumento da temperatura média global do mundo seja de apenas dois graus centígrados até 2020.