Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Eurogrupo não vai discutir renegociação da dívida portuguesa

JULIEN WARNAND / REUTERS

“Não discutimos e não vamos discutir, porque Portugal é capaz de gerir a sua própria dívida. E não estamos certos que assim seja no caso da Grécia, é essa a grande diferença”, afirmou o presidente do Eurogrupo Jeroen Dijsselbloem

O presidente do Eurogrupo garantiu esta segunda-feira, em Bruxelas, que o fórum de ministros das Finanças da zona euro não discutiu nem discutirá uma eventual renegociação dos juros da dívida portuguesa, argumentando que há uma "grande diferença" relativamente à Grécia.

“Não discutimos e não vamos discutir, porque Portugal é capaz de gerir a sua própria dívida. E não estamos certos que assim seja no caso da Grécia, é essa a grande diferença. Não vamos confundir” as situações, declarou Jeroen Dijsselbloem, quando questionado sobre se uma renegociação da dívida grega poderia ser estendida aos juros da dívida portuguesa, que o próprio ministro das Finanças, Mário Centeno, admitiu serem muito elevados.

Questionado sobre se Centeno abordou esta segunda-feira a questão em Bruxelas, depois de o ter feito na semana passada na Assembleia da República, o presidente do Eurogrupo disse que “não, e (se o fizesse) não ajudaria muito o já difícil processo da sustentabilidade da dívida da Grécia”.

Na semana passada, durante o debate na generalidade sobre a proposta de Orçamento do Estado para 2017, Centeno admitiu que “é necessário que Portugal tenha uma redução na taxa de juro que paga pelo seu endividamento”.

O ministro escusou-se a prestar declarações aos jornalistas no final da reunião de hoje do Eurogrupo, apenas devendo fazê-lo depois da audição na qual participará na terça-feira ao final da tarde no Parlamento Europeu, em Bruxelas, no quadro do “diálogo estruturado” sobre o processo de possível suspensão de fundos a Portugal e Espanha devido ao défice excessivo.
Presente na conferência de imprensa final do Eurogrupo, o responsável do Mecanismo Europeu de Estabilidade, Klaus Regling, corroborou a ideia de Dijsselbloem, ao defender que os casos de Portugal e Grécia são muito distintos, exemplificando com os juros da dívida a 10 anos no mercado secundário, que no caso de Portugal rondam os 3,5%, enquanto para a Grécia são de 8%, apontou.