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Bolsas mundiais perdem 1,9% durante a semana. Lisboa entre as maiores quedas

A maior quebra semanal registou-se no conjunto das economias emergentes, mas a Europa concentrou seis bolsas a liderarem perdas semanais acima de 4%, incluindo Lisboa. O índice S&P norte-americano está em queda há nove sessões, um recorde desde dezembro de 1980

Jorge Nascimento Rodrigues

O mês de outubro ficou marcado pelo vermelho, com o índice mundial MSCI a perder 1,8%. A semana que findou prossegue no mesmo registo. A perda semanal à escala mundial foi de 1,9%. A maior quebra registou-se no conjunto das economias emergentes, com o índice MSCI respetivo a recuar 2,6%. Por ordem decrescente, seguiram-se descidas de 1,95% para as bolsas de Nova Iorque, 1,8% para o índice europeu e 1,4% para o índice da Ásia Pacífico.

Concentrando Nova Iorque as duas mais importantes bolsas do mundo, o NYSE e o Nasdaq, a evolução recente está a saldar-se por um registo preocupante. O índice S&P 500 está há nove sessões consecutivas em queda, o maior período seguido no vermelho desde dezembro de 1980, uma acumulação de dias de negociação seguidos no negativo superior ao que ocorreu durante o auge do colapso financeiro de 2008. O índice Dow Jones 30 está há sete sessões no vermelho e o Nasdaq acumula nove sessões em terreno negativo.

O ‘Trumpazo’ – associado à subida da probabilidade de uma vitória do candidato Donald Trump nas eleições da próxima terça-feira – está a alimentar a volatilidade de Wall Street. O índice de pânico financeiro VIX associado ao S&P 500 subiu 39% durante a semana, mas o seu nível de fecho na sexta-feira em 22,5 dólares está ainda abaixo do pico de volatilidade deste ano em fevereiro.

Lisboa nas seis bolas europeias com maiores quedas

As economias emergentes ficaram marcadas pelas quedas semanais de 5,2% do índice BIST 100 de Istambul, Turquia, e de 4,2% do iBovespa, de São Paulo, Brasil. Apesar da maior queda semanal no conjunto das economias emergentes, as descidas mais significativas, acima de 4%, concentraram-se na Europa em seis bolsas. O índice MIB de Milão liderou as quedas, com um recuo semanal de 5,8%. Também registaram quedas semanais entre 4% e 5%, os índices da bolsa dinamarquesa, do Ibex 35 de Madrid, do FTSE 100 de Londres, do PSI 20 de Lisboa e do Dax de Frankfurt. O PSI 20 perdeu 4,2% na semana.

O índice da zona euro Eurostoxx 50 (das cinquenta principais cotadas) perdeu 3,98% em termos semanais. O sector bancário europeu registou perdas em bolsa de 4,9% durante a semana, com destaque para o conjunto da banca italiana que viu a sua capitalização bolsista perder 8,9%. No índice MIB de Milão, nove cotadas registaram quebras semanais acima de 8%, oito das quais são bancos. O Banco Monte dei Paschi di Siena liderou essas descidas, perdendo 19,6% durante a semana.

O índice de volatilidade associado ao Eurostoxx subiu, esta semana, 31%, mas o valor de fecho em 25 euros está ainda distante do pico de 40 euros em junho, por efeito do Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia decidida por maioria em referendo).

A volatilidade na Europa está a ser contagiada pela incerteza sobre os resultados das eleições presidenciais norte-americanas, pelas críticas crescentes à política monetária expansionista do Banco Central Europeu, que tem uma reunião importante agendada para 8 de dezembro e por um risco político de curto prazo em Itália que realiza um referendo constitucional a 4 de dezembro.

Caos na OPEP

A descida do preço do barril de petróleo há seis sessões consecutivas está também a pesar no pessimismo bolsista. O preço do barril de Brent, a variedade europeia de referência internacional, desceu de 53 dólares a 10 de outubro para 45,6 dólares no fecho de sexta-feira.

A ‘culpa’ é do “caos na OPEP”, como refere o Oil Price Intelligence Report na sexta-feira. Os analistas têm dúvidas que o cartel dos exportadores (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) consolide um acordo na sua cimeira a 30 de novembro em Viena concretizando a decisão que tomou informalmente em Argel no final de setembro no sentido de voltar a fixar um teto diário de produção, que seja acompanhado por exportadores não membros como a Rússia.