Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Juros da dívida portuguesa continuam em queda

Grécia e Portugal com juros e prémio da dívida em baixa esta semana. Espanha, Irlanda e Itália com juros e risco em alta. O mercado da dívida soberana dos periféricos do euro está de pernas para o ar

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields das Obrigações do Tesouro português (OT) no prazo de referência a 10 anos desceram esta semana nove pontos base, fechando esta sexta-feira em 3,3%. O pico no segundo semestre do ano foi registado a 7 de outubro com aquele custo a subir para 3,6% - ainda assim abaixo do máximo do ano registado em fevereiro, quando as yields subiram acima de 4%, um limiar que já foi considerado crítico por alguns analistas.

O prémio de risco da dívida de longo prazo portuguesa recuou seis pontos base durante a semana, encerrando esta sexta-feira em 316 pontos base – o equivalente a 3,16 pontos percentuais acima do custo de financiamento da dívida alemã que serve de referência na zona euro.

O facto marcante da semana é o contraste entre a descida das yields e do prémio de risco para a Grécia e Portugal e a subida para os outros três periféricos, Espanha, Irlanda e Itália. Esta divergência tem permitido a Portugal encurtar inclusive a diferença entre o risco da sua dívida e o muito mais baixo atribuído àqueles três periféricos. A redução do fosso é particularmente notória em relação a Itália.

As yields das obrigações gregas a 10 anos desceram abaixo de 8%, caindo 56 pontos base, mais de meio ponto percentual, durante a semana; fecharam esta sexta-feira em 7,76%.

O stresse em relação à dívida helénica durante o primeiro exame ao terceiro resgate grego foi substituído pela crise do rating português em setembro e outubro até que a agência de notação DBRS colocou um ponto final sobre o tema. O foco deslocou-se, então, para Itália, com um risco político de curto prazo elevado em torno do referendo sobre matérias constitucionais a 4 de dezembro, apenas quatro dias antes da próxima reunião de política monetária do Banco Central Europeu, que tem sido fortemente criticada a partir da Alemanha.

No prazo de referência dos títulos, esta semana, as yields subiram nove pontos base para as obrigações italianas, cinco para as espanholas e quatro para as irlandesas. Fecharam respetivamente em 1,75%, 1,31% e 0,67%, longe dos mínimos históricos de 1% em meados de agosto, 0,88% em final de setembro e 0,33% em final de setembro~, em cada caso.

Os prémios de risco respetivos aumentaram 11, sete e seis pontos base. O risco italiano fechou em 161 pontos base, o espanhol em 117 e o irlandês em 53. O risco português permanece muito acima - é quase seis vezes superior ao irlandês; quase três vezes o espanhol; e quase duas vezes o italiano.

A Alemanha continua fora do ‘clube’ das yields negativas no prazo a 10 anos, que, atualmente, apenas inclui Japão e Suíça. Saiu do 'clube' a 7 de outubro. As yields das obrigações alemãs naquele prazo fecharam esta sexta-feira em 0,14%, dois pontos base abaixo do valor de encerramento de há uma semana.