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Bolsas mundiais já caíram 1,5% esta semana

Uma reviravolta no ‘sentimento’ dos investidores na quinta-feira empurrou, de novo, as praças financeiras da Europa e dos EUA para o vermelho. O índice bolsista europeu cai há cinco sessões consecutivas. O Dow Jones recua há seis sessões e o S&P 500 há oito. Críticas crescentes ao BCE, risco de ‘Trumpazo’, queda do preço do petróleo há cinco sessões

Jorge Nascimento Rodrigues

Foi sol de pouca dura. As bolsas europeias e os futuros em Wall Street pareciam revelar um alívio das quedas das sessões anteriores na quinta-feira de manhã. Mas as praças financeiras no Velho Continente e em Nova Iorque acabaram por fechar ontem no vermelho.

O índice MSCI mundial acumula uma queda de quase 1,5% nas quatro primeiras sessões da semana. Já esta sexta-feira, na Ásia Pacífico, a importante bolsa de Tóquio encerrou a perder 1,3% e as bolsas de Xangai e Shenzhen, na China, fecharam no vermelho. Mumbai, na Índia, está a negociar no vermelho. Nas cinco bolsas mais importantes da região, apenas Hong Kong se mantém ligeiramente acima da linha de água, mas a trajetória aponta para um encerramento no vermelho.

O andamento das bolsas mundiais é preocupante. O índice mundial está há três sessões consecutivas no vermelho.

O índice MSCI para a Europa regista quedas sucessivas há cinco sessões. Na quinta-feira, apenas o Ibex 35 de Madrid e o OMXS 30 de Estocolmo fecharam acima da linha de água. O PSI 20, em Lisboa, está no vermelho há quatro sessões consecutivas; já perdeu, esta semana, 2,9%.

Os índices MSCI para os EUA e para as economias emergentes recuam há três sessões consecutivas. O índice MSCI para a Ásia Pacífico perde há duas sessões consecutivas. No caso de Wall Street, os dois mais importantes índices bolsistas do mundo estão em queda há mais sessões do que os índices MSCI: o Dow Jones 30 está a recuar há seis sessões e o S&P 500 há oito. Neste último caso, é o nono episódio deste tipo desde março de 1957, tendo o último sido registado em outubro de 2008.

Três incertezas de curto prazo crescentes

O ‘sentimento’ dos investidores em ações está pessimista. Avolumam-se três incertezas de curto prazo.

A crítica crescente à política monetária expansionista do Banco Central Europeu (BCE) sobe de tom a partir da Alemanha. O grupo de ‘cinco sábios’ que aconselham o governo de Angela Merkel em matérias económicas publicou, esta semana, uma crítica muito dura às medidas que o BCE tem no terreno. Na quinta-feira, foi a vez de Jens Weidmann, presidente do Bundesbank, o banco central alemão, e membro do conselho do BCE, dizer publicamente que os riscos da política seguida por Mario Draghi são “cada vez mais claros”. Weidmann falava em Amesterdão na assembçeia anual da Associação de Banqueiros Estrangeiros. Vai em crescendo a pressão sobre a discussão que o BCE vai realizar a 8 de dezembro sobre o futuro do seu quadro de políticas, nomeadamente da extensão ou redução do seu programa de compra de ativos (que se tem revelado crucial para quatro periféricos do euro, Espanha, Irlanda, Itália e Portugal poderem financiar-se com juros historicamente baixos) e da manutenção ou não da taxa de remuneração negativa dos depósitos (em -0,4%) que está a começar a afetar o sector bancário da zona euro e a gerar uma reação negativa nos aforradores alemães.

O que é designado por ‘Trumpazo’ alimenta alguma volatilidade bolsista. Uma vitória do candidato Donald Trump nas eleições de 8 de novembro, já na próxima semana, passou de altamente improvável para possível, apesar da sua oponente, Hillary Clinton, continuar a manter uma vantagem nas previsões para o colégio eleitoral que, em última análise, elege o próximo presidente dos Estados Unidos. O índice de pânico financeiro em Wall Street subiu 14,3% na quinta-feira, ainda que continue abaixo dos picos de janeiro e fevereiro e mesmo da subida de julho. Na Europa o índice de volatilidade relacionado com o Eurostoxx 50 subiu ontem 4,3%, mas está distante do máximo de meados de junho.

A compor o ramalhete de incertezas, o comportamento do preço do petróleo, que está há cinco sessões em queda. Na quinta-feira, o preço do barril de Brent fechou pouco acima de 46 dólares, um recuo de 1% em relação ao valor de fecho no dia anterior. A cotação da variedade europeia de referência internacional caiu 13% desde o máximo do ano acima de 53 dólares registado a 10 de outubro. Generaliza-se a dúvida se a próxima cimeira da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) a 30 de novembro conseguirá chegar a um acordo efetivo de corte da produção e se arrastará, nesse entendimento, exportadores fora do cartel, como a Rússia e o Brasil. O mercado do crude continua marcado pelo excesso da oferta.