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EDP duplica ganhos na comercialização de energia e quer ganhar mais

O resultado operacional da EDP na venda de eletricidade e gás no mercado liberalizado está a crescer, com a margem por cliente em alta, mas a empresa acredita conseguir ainda reduzir os custos com a aposta nas faturas eletrónicas

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

A EDP mais do que duplicou os seus ganhos no negócio de comercialização de eletricidade e gás natural no mercado liberalizado da Península Ibérica. No caso de Portugal, a empresa admite estar a conseguir este ano um aumento da margem obtida por cada cliente.

Esse aumento dos ganhos por cliente, conjugado com a expansão da base de consumidores, levou a que a margem bruta da EDP na comercialização de energia em Portugal tenha crescido 33% nos primeiros nove meses do ano, para 141 milhões de euros. Descontando-lhe os custos operacionais e amortizações, o resultado operacional (EBIT) da comercialização liberalizada em Portugal ascendeu a 31 milhões de euros até setembro, mais 125% do que no ano passado.

Em Espanha o resultado operacional na comercialização de energia cresceu 104%, para 46 milhões de euros.

Pondo em perspetiva, o negócio da comercialização é uma parte minoritária nos ganhos globais da EDP, cujo resultado operacional até setembro foi de 1.792 milhões de euros e até teve uma descida, em termos homólogos, de 7%. O lucro do grupo também desceu 16%, para 615 milhões.

A comercialização (a parte final da cadeia de negócio da EDP) representa, portanto, somente 4% do EBIT do grupo. As maiores fatias dos ganhos operacionais da companhia vêm da produção convencional de energia, da área das renováveis e ainda dos negócios regulados de gestão das redes de eletricidade e gás.

No entanto, a área da comercialização é a que envolve um maior contacto com o cliente final: a EDP tem em Portugal 3,9 milhões de clientes de eletricidade no mercado liberalizado e 575 mil clientes de gás natural. Em Espanha tem ainda um milhão de clientes de eletricidade e 847 mil de gás.

No caso português, embora o ganho operacional tenha mais do que duplicado nos primeiros nove meses do ano, a EDP acredita poder ir mais longe. A empresa teve um acréscimo de custos operacionais de 19% (sobretudo em call centers e serviço de faturação), mas tenciona cortar na despesa. Este ano a empresa reporta uma diminuição de 27% no volume de reclamações em Portugal.

“A EDP está a criar espaço para reduzir o custo por cliente através de um aumento da taxa de digitalização: a faturação eletrónica cresceu 30% em termos homólogos, enquanto as faturas emitidas em papel caíram 8%”, indica a EDP no documento de apresentação dos resultados do terceiro trimestre.

  • Lucro da EDP até setembro baixou 16%

    A elétrica presidida por António Mexia lucrou 615 milhões de euros até setembro, tendo no mesmo período registado uma diminuição da sua dívida líquida, que está agora em 15,9 mil milhões