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Galp diz que estimativa de ganhos com contratos de gás não tem “qualquer adesão à realidade”

A Galp diz desconhecer os dados que a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos utilizou para o cálculo que estima em 1.158 milhões de euros os ganhos acumulados pela empresa, até 2026, com a revenda de gás natural

A Galp Energia considera que a estimativa de 1.158 milhões de euros em ganhos acumulados até 2026 com a revenda de gás natural, divulgada esta quarta-feira pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), "não tem qualquer adesão com a realidade".

A ERSE estimou em cerca de 1.158 milhões de euros os "ganhos comerciais" da Galp Energia com os contratos de abastecimento de gás natural, entre 2010 e 2026, data em que termina o último contrato em causa.

A entidade reguladora já informou o Governo, através do secretário de Estado da Energia, acerca das estimativas efetuadas, divulgadas cerca de um mês e meio depois de ter recebido, a 23 de setembro passado, a cópia dos quatro contratos de gás natural em regime de 'take or pay' celebrados pela Galp Energia entre 2006 e 2012.

Em resposta à Lusa, a Galp diz que desconhece "os dados que a ERSE utilizou para o cálculo de estimativas de potenciais ganhos acumulados até 2026 com a venda internacional de gás natural", realçando que, "com os elementos de que a Galp dispõe, a projeção de potenciais ganhos divulgada pela ERSE não tem qualquer adesão com a realidade".

De acordo com o regulador, "a estimativa efetuada considerou os preços internacionais do gás natural e, pela sua atratividade em preço, o mercado do extremo oriente como o mercado prioritário de escoamento de excedentes de gás natural".

Os contratos de gás natural a longo prazo feitos com a Argélia e Nigéria, em regime de 'take or pay', obrigam a Galp Energia a comprar as quantidades acordadas, independentemente do consumo esperado se verificar, mas permitem transferir quantidades de um ano para o outro, dentro de determinados limites, se a procura for inferior aos níveis mínimos anuais estabelecidos, segundo explica a petrolífera na sua página na Internet.

O tema dos contratos de gás natural foi levantado ainda pelo executivo liderado por Passos Coelho, que defendeu a partilha com os consumidores dos benefícios resultantes da revenda aos mercados asiáticos, sobretudo ao Japão, o que aconteceria através da descida das tarifas a cobrar nos próximos anos.

Para poder fazer as contas, a tutela pediu os contratos à Galp Energia, que se recusava a entregá-los alegando a confidencialidade, mas a 23 de setembro enviou ao regulador uma cópia integral dos referidos contratos de compra de gás natural em regime 'take or pay'.

Para o Governo, esta compensação é devida aos consumidores de gás natural que não beneficiaram das mais-valias que a petrolífera portuguesa terá obtido com a venda de gás, devendo refletir-se nas tarifas.