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Banco central dos EUA mantém expetativa para aumento dos juros em dezembro

A equipa de Janet Yellen decidiu não subir as taxas de juro na reunião de política monetária da Reserva Federal que terminou esta quarta-feira. Era o esperado a menos de uma semana para as eleições presidenciais. Os mercados financeiros apostam em que a decisão será anunciada a 14 de dezembro

Jorge Nascimento Rodrigues

A Reserva Federal norte-americana, o banco central dos Estados Unidos, continua a alimentar a expetativa de que se decidirá por um aumento das taxas de juro na última reunião de política monetária antes do final do ano. O comunicado da reunião que terminou esta quarta-feira volta a deixar sinais nesse sentido, ainda que mantendo a já tradicional escrita cautelosa que a sua presidente, Janet Yellen, imprimiu.

O Comité de Política Monetária (FOMC, no acrónimo em inglês), a que Yellen preside, considera que a opção por um aumento das taxas de juros federais “continuou a fortalecer-se”. Mas, decidiu nesta reunião, uma vez mais, que “por ora, tem de esperar por mais evidência de um progresso contínuo em direção aos seus objetivos” de emprego pleno e de aproximação à meta de inflação de 2%.

Desta vez, a votação contra encurtou-se para duas opositoras, Esther L. George e Loretta J. Mester, que se batem por um aumento já para o intervalo entre 0,5% e 0,75%. O presidente da Reserva Federal de Boston, Eric Rosengren, que havia alinhado com as duas na reunião de 21 de setembro, agora mudou para o campo da maioria, decidiu esperar como os restantes sete do comité.

A manutenção das taxas de juro no intervalo entre 0,25% e 0,5% era esperada pelos mercados financeiros, tanto mais que a equipa de Janet Yellen se reuniu apenas a menos de uma semana das eleições presidenciais, que estão envoltas em cada vez maior incerteza quanto ao vencedor a 8 de novembro. Se se concretizar uma decisão de subida a 13 e 14 de dezembro, isso ocorrerá um ano depois da primeira mexida desde dezembro de 2008, quando as taxas foram baixadas para próximo de zero por cento.

Mas mesmo que forem aumentadas em dezembro, a estratégia continuará aquela que foi definida por Yellen desde o início – aumentos graduais, dentro da perspetiva que “é provável que as taxas se mantenham, por algum tempo, abaixo dos níveis que se espera que prevaleçam no longo prazo”.

No mercado de futuros das taxas de juro da Fed, a probabilidade de uma decisão de subida dos juros em dezembro subiu para 71,5%, segundo dados do CME Group.

No quadro macroeconómico, a taxa de inflação subiu para 1,5% em setembro, a mais elevada desde janeiro. A economia está próxima de pleno emprego, com a taxa de desemprego em 5% no final de setembro. Um aumento de uma décima em relação aos três meses anteriores. A taxa de crescimento anual registou 2,9% entre julho e setembro, um salto em relação a 0,8% no primeiro e 1,4% no segundo trimestres.