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“O sistema de rating é fraudulento”

Jacob Soll, Professor de História na Universidade do Sul da Califórnia

José Caria

Jacob Soll conhece profundamente a realidade económica portuguesa — estudou e trabalhou em Portugal — e diz que o país está a ser prejudicado pelas agências de rating, que utilizam parâmetros de contabilidade desatualizados

É possível comparar indicadores financeiros e orçamentais entre a Grécia, Portugal e Itália quando os princípios contabilísticos para o sector público não são uniformes na União Europeia?
Portugal foi um país extremamente pobre até há poucos anos. Com a adesão à União Europeia, os fundos comunitários começaram a entrar em Portugal no fim da década de 90 e isso transformou o país no início dos anos 2000. Antes disso e até essa altura o país foi pobre e ainda manteve as características de uma economia rural na década de 80. É injusto comparar os seus indicadores com os de outros países europeus que foram industrializados há muito tempo.

O aumento da dívida pública portuguesa afasta o investimento estrangeiro?
Portugal continua a não ser atraente para os investidores. Pode ser visto como um país arriscado devido à forma como os números financeiros são apresentados e não conseguirá facilmente ser aligeirado do peso da sua dívida, que é muito elevada. A Europa deveria ajudar Portugal, mas os países do Norte já não querem prestar mais ajudas. Portugal precisa de estímulos e não de austeridade, ou, quanto muito, precisaria de um misto de estímulos e austeridade. Os portugueses não têm crescimento e não conseguem fazer um investimento maciço em tecnologia e educação porque não têm dinheiro disponível para isso.

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