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CaixaBank quer BPI a liderar mercado bancário português

O gigante espanhol La Caixa, atual dono do BPI, seria o acionista dominante do universo EDP-Gas Natural

LLUIS GENE/AFP/GETTY

Presidente executivo do banco espanhol diz que qualquer percentagem de participação na conclusão da OPA acima de 50% do capital do BPI "faz sentido"

O CaixaBank tem como objetivo que o BPI venha a liderar o mercado português, contando para isso com a atual equipa de "altíssimo nível" do banco para fazer as alterações necessárias para melhorar a eficiência e a rentabilidade.

"Sim. Haverá mudanças", disse hoje em Barcelona o presidente executivo do banco espanhol, Gonzalo Gortázar, acrescentando que espera "tirar o melhor das duas direções" (CaixaBank e BPI) "para ter o banco a liderar o mercado português".

Na apresentação dos resultados do CaixaBank dos primeiros nove meses deste ano, Gortázar sublinhou que os níveis de eficiência e de rentabilidade do BPI "podem melhorar" e reconheceu que o banco tem sido "bem gerido, por pessoas de altíssimo nível".
"Por isso o BPI está onde está, num nível superior à norma do mercado português", disse o presidente executivo da entidade espanhola com sede em Barcelona.

Gonzalo Gortázar afirmou estar totalmente concentrado na operação de compra do BPI, a maior aquisição financeira fora de Espanha do CaixaBank, tendo sido nomeado na quinta-feira para pertencer ao Conselho de administração do banco português.

O banco catalão já fez o pedido de registo da OPA sobre a totalidade do capital social do BPI junto da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e aguarda agora pela decisão da autoridade portuguesa.

Gonzalo Gortázar indicou que espera que o processo de aquisição esteja totalmente concluído até ao fim do ano.

O CaixaBank já é o maior acionista do BPI, com cerca de 45%, e, segundo Gortázar, qualquer percentagem de participação na conclusão da OPA acima de 50% do capital do BPI "faz sentido".

"Quem quiser ficar que fique e quem quiser vender que o faça", afirmou o presidente executivo do CaixaBank, acrescentando que o preço oferecido "é muito adequado para os acionistas atuais", não havendo motivos para o aumentar.

Na quinta-feira, em Lisboa, a associação de pequenos investidores ATM anunciou que está a preparar várias ações judiciais, caso não haja uma subida do preço oferecido pelo Caixabank na OPA sobre o BPI.

Para esta associação, a contrapartida oferecida pelo CaixaBank, de 1,134 euros por ação do BPI, não é suficiente.
Entretanto, a operação de aquisição do BPI pelo CaixaBank foi autorizada pelo Banco Central Europeu (BCE), revelou o presidente executivo do banco espanhol.

O banco com sede em Barcelona teve lucros de 970 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2016, menos 2,6% face ao período homólogo, incluindo impactos extraordinários associados à integração do Barclays em 2015.

O resultado antes de impostos foi de 1.314 milhões de euros, um aumento de 45,2% face ao mesmo período do ano passado.