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Investidores aceitam juro mais baixo para ficar com dívida a 5 anos

O IGCP colocou mil milhões de euros em obrigações a vencer em 2021 pagando uma taxa de 1,751%, abaixo da registada no leilão anterior da mesma linha de obrigações

Jorge Nascimento Rodrigues

Portugal regressou esta quarta-feira ao mercado de dívida obrigacionista e colocou 1000 milhões de euros em Obrigações do Tesouro (OT) a 5 anos pagando uma taxa de colocação de 1,751%, inferior à verificada na emissão anterior similar e inclusive à verificada no mercado secundário.

No leilão anterior da mesma linha de OT que vence em 2021, a Agência de Gestão da Dívida Pública e da Tesouraria pagou, a 31 de agosto, 1,87% na colocação de 450 milhões de euros. A procura foi, no entanto, superior à verificada agora: 2,15 vezes o montante colocado em agosto face a 1,93 vezes esta quarta-feira.

“Portugal beneficiou da descida de taxas das últimas semanas. Basta lembrar que a 7 de outubro esta dívida, no mercado, tinha os juros a 2,07%. Ou seja, os juros baixaram quer desde a última emissão comparável, quer desde o pico que tivemos entretanto. É mais um passo para baixar o custo médio do financiamento do país e um sinal de que os investidores acreditam na manutenção do rating da DBRS. Aliás, tudo continuará a correr bem enquanto o Banco Central Europeu (BCE) continuar a comprar a dívida portuguesa”, refere Filipe Silva, diretor da gestão de ativos do Banco Carregosa.

"Este alívio vem no seguimento de um mercado de renda variável [ações] mais estável, já que tivemos esta semana, por exemplo, o [índice da bolsa de Frankfurt] DAX a fazer novos máximos anuais, com uma política monetária por parte do BCE mais consistente e consolidada a gerar no mercado maior apetite pelo risco e, como consequência, uma maior facilidade em colocar montantes mais elevados de dívida, com melhores yields", diz, por seu lado, Tiago da Costa Cardoso, gestor da XTB Portugal.

"Depois de ultrapassado o factor de risco DBRS, Portugal assegurou a elegibilidade para o programa de compras do BCE, levando assim à redução do prémio de risco. [No entanto], o bid to cover foi ligeiramente abaixo do anterior, podendo reflectir um menor interesse por parte dos yield hunters no actual nível de yield", sublinha Marisa Cabrita, gestora de activos da Orey Financial.

Recorde-se que, na quinta-feira passada, Mario Draghi, presidente do BCE, desmentiu formalmente o rumor lançado no início do mês gerando o pânico de que o banco central poderia antecipar a redução das compras mensais de ativos ainda antes de março de 2017. Os mais afetados seriam logo os periféricos do euro que estão a beneficiar criticamente do programa (com exceção da Grécia, que ainda continua sem acesso). No dia seguinte, a agência de notação canadiana DBRS manteve o rating de investimento e a tendência estável da dívida de longo prazo portuguesa acabando com a especulação de um corte súbito no acesso aos programas do BCE e de iminência de um segundo resgate a Portugal. Os dois rumores provocaram picos de mais de oito meses nas yields da dívida no mercado secundário no dia 7 de outubro.