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Juros sobem ligeiramente na véspera de regresso ao mercado

Juros sobem esta terça-feira para 1,8% a 5 anos e para 3,19% a 10 anos. Aumentos de quatro pontos base em relação ao dia anterior. IGCP realiza amanhã leilão de obrigações a 5 anos e pode pagar menos do que na operação de agosto

Jorge Nascimento Rodrigues

O custo de financiamento da dívida portuguesa a 5 e 10 anos subiu ligeiramente esta terça-feira no mercado secundário, em vésperas do regresso da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) ao mercado primário da dívida com uma colocação a 5 anos.

As yields das Obrigações do Tesouro (OT) a 5 anos fecharam esta terça-feira, pelas 21 horas (hora de Portugal), em 1,797%, quatro pontos base (quatro décimas) acima do valor de encerramento do dia anterior. A 10 anos, as yields subiram também quatro pontos base para 3,19%.

Este valor de fecho é posterior à divulgação pelas 19 horas da carta ao governo português enviada pelos comissários Valdis Dombrovskis e Pierre Moscovici colocando em dúvida a exequibilidade de uma descida de 0,6 pontos percentuais do PIB no défice estrutural no próximo ano. Na proposta de Orçamento de Estado em discussão na Assembleia da República, o governo aponta para uma descida daquele défice de -1,7% para -1,1% entre 2016 e 2017. Bruxelas duvida da exequibilidade da meta tendo em conta que se baseia num "cenário macroeconómico menos otimista" do que o projetado pelo governo. Os máximos do dia nas yields verificaram-se pelas 17 horas no prazo a 5 anos e pelas 14h30 no prazo a 10 anos.

Os níveis de yields verificados hoje estão distantes dos máximos do mês registados a 7 de outubro, de 2,13% a 5 anos e 3,6% a 10 anos. Naquele dia registou-se um impacto negativo da confluência da especulação sobre um segundo resgate a Portugal e do rumor infundado de que o Banco Central Europeu (BCE) iria proceder a uma antecipação da redução do seu programa mensal de compras de ativos mesmo antes de março de 2017, a data atual prevista para a não ampliação temporal do programa.

O esvaziamento do duplo stresse no final da semana passada, depois do desmentido feitopelo presidente do BCE Mario Draghi na quinta-feira e da decisão da agência canadiana DBRS no dia seguinte em manter o rating de investimento (e a tendência estável) da dívida portuguesa, consolidou a trajetória de descida do pico de 7 de outubro.

O IGCP regressa amanhã ao mercado com um leilão de reabertura da linha de OT que vence em abril de 2021. A agência aponta para uma colocação entre 750 e 1000 milhões de euros. No leilão anterior desta linha, no final de agosto, o Tesouro colocou 450 milhões de euros, pagando uma taxa de colocação de 1,87% e registou uma procura 2,15 vezes superior ao montante colocado. As yields no mercado secundário indiciam uma possível colocação com uma taxa inferior à da operação similar anterior.