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CEO da Galp promete “coabitação tranquila” com a nova presidente

José Carlos Carvalho

Carlos Gomes da Silva e Paula Amorim asseguram estar totalmente alinhados na estratégia da Galp, que continuará a ter no Brasil um eixo estratégico de crescimento, mas sempre, segundo o CEO, com “disciplina financeira”

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

“Teremos uma coabitação tranquila”, assegurou esta segunda-feira o presidente-executivo (CEO) da Galp, Carlos Gomes da Silva, a propósito da nova presidente do conselho de administração, Paula Amorim. A presidente não-executiva da empresa, que sucede ao seu pai Américo Amorim, reiterou estar “perfeitamente alinhada” com o trabalho da comissão executiva.

Esta segunda-feira, a Galp assinalou uma década de presença na bolsa portuguesa. Após a cerimónia, na Euronext, em Lisboa, Carlos Gomes da Silva mostrou-se confiante no trabalho com a filha mais velha de Américo Amorim. “Vai ser fácil se cada um fizer o seu trabalho numa base de transparência e abertura. O conselho de administração tem que ser um continuado desafiador”, comentou o CEO em declarações aos jornalistas.

Quanto a Paula Amorim, que já era vice-presidente da Galp e agora toma a presidência, sublinhou que é à comissão executiva que cabe falar sobre a estratégia da empresa, mas indicou que os dois órgãos (conselho de administração e comissão executiva) têm estado e continuarão a estar em sintonia.

“Estamos [o grupo Amorim] há 10 anos na empresa, estamos perfeitamente alinhados com a sua comissão executiva, totalmente comprometidos. E temos total confiança na gestão. Um dos motivos de sucesso da Galp tem sido a relação de proximidade que temos tido”, afirmou a empresária aos jornalistas, acrescentando que “absolutamente nada” irá mudar no relacionamento entre o maior acionista (Amorim Energia) e a equipa de gestão.

Carlos Gomes da Silva frisou na sessão comemorativa dos 10 anos em bolsa que um dos desafios daqui em diante é executar os projetos existentes, de forma a continuar o processo de valorização bolsista da Galp e cumprir os compromissos apresentados aos acionistas.

Sobre o futuro, o CEO da Galp não nega que o Brasil continuará a ser uma peça central no crescimento da empresa. Este mês o grupo renovou a parceria mantida há vários anos com a Petrobras, visando “o desenvolvimento de novas oportunidades para ambas as empresas”.

A Galp está a avaliar a possível aquisição de participações que a Petrobras venha a vender em projetos petrolíferos no Brasil, mas Carlos Gomes da Silva garante que qualquer negócio que venha a ser feito naquele mercado obedecerá a uma regra de “disciplina financeira”.

Por outro lado, o gestor considera que a Galp não terá dificuldade em financiar eventuais investimentos adicionais face aos atualmente previstos para a exploração petrolífera no Brasil. “Nunca nenhum bom projeto ficou sem financiamento”, sublinhou Carlos Gomes da Silva.

Nos projetos em operação, a Galp atingiu recentemente uma produção global de 70 mil barris por dia. “Estamos a caminho dos 100 mil barris por dia, volume que atingiremos no próximo ano”, indicou o CEO da Galp.