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Pousadas querem criar um pequeno-almoço português que seja standard internacional

INOVAR. Frederico Costa, novo administrador das Pousadas de Portugal, tem mais um projeto 'revolucionário' para 2017 que passa pelo “sorriso dos colaboradores”

TIAGO MIRANDA

Rede das Pousadas de Portugal reforça a aposta na gastronomia e prevê fechar o ano com crescimentos de 17%

Se há um pequeno-almoço continental que é um ícone no mundo, a par do 'english breakfast' ou do 'american breakfast', porque não haver também uma refeição destas associada a Portugal? “Nós não temos um 'portuguese breakfast'. O país está com este crescimento todo no turismo, somos imagem de marca em muita coisa, e não existe aqui nada que nos diferencie, e portanto há claramente um espaço para ocupar”, sustenta Frederico Costa, administrador do grupo Pestana responsável pelas Pousadas de Portugal, avançando o objetivo do 'pequeno-almoço' português que a rede vai agora lançar se torne um 'standard' a nível internacional, começando por ser um padrão por exemplo em receções das embaixadas e nas restantes unidades turísticas do país.

LISBOA. A Pousada no Terreiro do Paço é a que se destaca pelos melhores resultados da rede

LISBOA. A Pousada no Terreiro do Paço é a que se destaca pelos melhores resultados da rede

Frederico Costa assumiu em maio o cargo de administrador do grupo Pestana responsável pelas Pousadas de Portugal, após deixar o de presidente da Visabeira Turismo. Na sua perspetiva tratou-se mais de um “regresso às Pousadas”, onde trabalhou doze anos, antes até de ser presidente do Turismo de Portugal (de 2011 a 2013).

Sumo de laranja natural, pão e queijos portugueses, sem faltar o pastel de nata

As cartas de pequeno-almoço são o foco da inovação agora introduzida na oferta das Pousadas de Portugal, abrangendo todas as 24 unidades da rede de norte a sul do país. “O pequeno almoço é, em todos os inquéritos que fazemos, a refeição mais emblemática e representativa da estadia dos hóspedes”, faz notar Frederico Costa.

AMARES. A gastronomia já representa 35% dos proveitos gerados nas Pousadas de Portugal

AMARES. A gastronomia já representa 35% dos proveitos gerados nas Pousadas de Portugal

Numa ampla pesquisa que envolveu provas dos diferentes produtos nas várias unidades, para identificar o que deverá ser o padrão do “pequeno-almoço português”, a rede concluiu que “a primeira coisa que se destaca é o sumo de laranja natural”. “Aqui, as Pousadas serão a única cadeia ao nível do país que os serve ao pequeno-almoço”, adianta o responsável.

“O segundo produto mais valorizado pelos nossos clientes ao pequeno-almoço é o pão, e daí as Pousadas terem obrigação de terem bom pão à mesa”, refere ainda Frederico Costa. “Tivemos provas de pães que duraram uma manhã inteira. E face à riqueza que existe em Portugal, vamos ter uma oferta nas Pousadas que varia consoante as regiões onde estão, as do norte terão broa de Avintes, as do Alentejo mais pão local, etc”.

ESTOI. A pesquisa para a construção do “pequeno-almoço português” envolveu todas as Pousadas do país

ESTOI. A pesquisa para a construção do “pequeno-almoço português” envolveu todas as Pousadas do país

Segundo a pesquisa das Pousadas de Portugal, o terceiro produto mais relevante na construção do pequeno-almoço luso são as compotas, e o quarto os queijos, destacando-se aqui “a queijaria fabulosa”, desde a Serra da Estrela às ilhas. “Vamos ter 'standards' de queijos nas Pousadas que serão iguais, mas também variam nas diferentes regiões”, frisa o administrador da rede.

Seguem-se depois outros elementos, como a “necessidade de ter a nossa charcutaria à mesa nas Pousadas”, ou o já emblemático pastel de nata. No campo da doçaria, e recriando “toda a história associada aos doces conventuais, elegemos um bolo que vai ser o ícone das Pousadas: o Bolo Real, cuja receita nasceu no convento de Santa Clara em Évora, no séc. XVI, e que tem toda uma história por trás. Este bolo vai estar à mesa de todas as Pousadas de Portugal”, garante.

CANIÇADA. As Pousadas vão adotar um bolo como imagem de marca: o Bolo Real, cuja receita nasceu no séc. XVI no convento de Évora

CANIÇADA. As Pousadas vão adotar um bolo como imagem de marca: o Bolo Real, cuja receita nasceu no séc. XVI no convento de Évora

Estrangeiros representam 69% dos clientes nas Pousadas

“Fazer as pessoas sentirem-se bem ao pequeno-almoço não é só pôr comida à mesa, é também a apresentação e sobretudo o sorriso dos colaboradores. Neste campo, estou a preparar um projeto para 2017 que tem como foco o sorriso nas Pousadas”, avança Frederico Costa.

As Pousadas de Portugal evidenciam em 2016 crescimentos de 19,4% face ao ano passado, com uma média de 59% em taxas de ocupação e €109 no preço das diárias, segundo dados de janeiro a 30 de setembro. “Só no verão crescemos 17,7%, o que significa que estamos a crescer mais fora da época alta”, enfatiza o administrador da rede, prevendo que, em números redondos, as Pousadas fechem o ano com um crescimento de 17% face ao exercício anterior.

BELMONTE. As Pousadas tiveram crescimentos de 19,4% até final de setembro, sobretudo com clientes estrangeiros

BELMONTE. As Pousadas tiveram crescimentos de 19,4% até final de setembro, sobretudo com clientes estrangeiros

Segundo Frederico Costa, a aposta na gastronomia vai continuar nas Pousadas, tendo em conta que 35% dos proveitos da rede se referem à restauração. Os clientes estrangeiros já tem um peso de 69% nestas unidades, destacando-se a Pousada de Lisboa como a que tem os melhores resultados.

“Olhando as Pousadas de Portugal, verificamos que é a maior rede de restaurantes que existe no país, e portanto também uma boa montra para a nossa gastronomia”, frisa Frederico Costa. “E Pousadas sem gastronomia não faz sentido, é algo que faz parte das nossas tradições e da própria portugalidade”.