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AT&T chegou a acordo para comprar a Time Warner, mas vai encontrar vários obstáculos

O livro “Harry Potter & The Cursed Child -- Parts I & II” vai ser apresentado este sábado no Porto, onde viveu a criadora da saga J.K. Rowling

ANDY RAIN/EPA

Empresa de telecomunicações norte-americana vai pagar cerca de 78 mil milhões de euros pela dona da CBB, da HBO, do Bugs Bunny e dos estúdios onde se produziram filmes como o Batman ou o Harry Potter. Será a maior fusão do mundo este ano, mas não só requer várias aprovações como terá de enfrentar alguns políticos que dizem estar contra

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

A empresa de telecomunicações norte-americana AT&T anunciou, oficialmente, este domingo que chegou a acordo para comprar a Time Warner, a dona dos canais de televisão CNN e HBO e ainda dos estúdios Warner Brothers, donos do Bugs Bunny e produtores dos filmes Batman ou Harry Potter.

“Este é o casamento perfeito de duas companhias com forças complementares que podem trazer uma nova abordagem à forma como a indústria dos media e das comunicações se relacionam com os consumidores, criadores de conteúdos, distribuidores e anunciantes”, disse em comunicado o presidente e CEO da AT&T, Randall Stephenson.

Já para o CEO da Time Warner, Jeff Bewkes, “a fusão com a AT&T acelera dramaticamente a nossa capacidade de fazer chegar as nossas marcas e conteúdos aos consumidores e a de capitalizar as oportunidades que existem dado o aumento da procura de conteúdos de video”.

Contudo, efectivar esta fusão - que será a maior do mundo este ano e criaria um gigante que poderá valer mais de 300 milhões de euros em bolsa, não vai ser nada fácil.

Primeiro o dinheiro. Comprar a Time Warner vai custar à AT&T um total de 85 mil milhões de dólares, ou cerca de 78 mil milhões de euros, mas a empresa de telecomunicações só tem 7,2 mil milhões de dólares em dinheiro (6,6 mil milhões de euros) e terá de ir buscar o resto à banca, contudo já tem uma dívida de 120 mil milhões de dólares (110 mil milhões de euros).

Depois as aprovações. O negócio tem de ser analisado e receber luz verde por parte de várias entidades oficiais, uma delas é uma subcomissão do Senado norte-americano e a outra é o Departamento de Justiça, que pode bloquear o negócio por violação das leis da concorrência ou por suspeita de criação de um monopólio. Segundo a Reuters, há ainda a FCC (Comissão Federal das Comunicações) que poderá ter de aprovar que as licenças de emissão das televisões passem para a AT&T como previsto no acordo do negócio.

Por fim, há o escrutínio político. O candidato republicano à presidência dos EUA, Donald Trump, disse este fim-de-semana, ainda antes do acordo ser oficial, que se ganhasse não iria aprovar a aquisição. “É muita concentração de poder nas mãos de muitos poucos”, disse, citado pela Reuters.

E também o senador democrata Bernie Sanders, que esteve na corrida à Casa Branca nas primárias - ou seja, quando os partidos escolhem quem se vai candidatar - sugeriu que o atual governo de Obama não deixasse esta fusão acontecer porque irá resultar em menos concorrência e, consequentemente, em preços mais altos para os consumidores.

E ainda o escrutínio público e o receio que os canais de televisão, nomeadamente a CNN que é um canal de informação, deixe de ser um meio de comunicação independente. Contudo, este domingo de madrugada, o presidente e CEO da AT&T, Randall Stephenson, fez um comunicado no site da empresa sobre esta situação.

“A nossa intenção é operar a Time Warner tal como ela opera atualmente, com autonomia nas suas divisões, incluindo os criativos de topo e os jornalistas que fazem da Time Warner um líder no entretenimento e nas notícias. A CNN é um símbolo americano de jornalismo independente e de liberdade de expressão. A minha administração e eu temos a certeza - a CNN vai continuar a ser completamente independente na sua perspectiva editorial”, pode ler-se na nota de Stephenson.