Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Juros da dívida estáveis em torno de 3,2%, em dia de decisão sobre rating

Os juros das Obrigações do Tesouro a 10 anos manifestam alguma flutuação desde a conferência de imprensa de Mario Draghi na quinta-feira. DBRS comunica a sua decisão sobre a notação da dívida portuguesa esta sexta-feira, depois do fecho dos mercados financeiros europeus

Jorge Nascimento Rodrigues

As yields das Obrigações do Tesouro português (OT) no prazo de referência, a 10 anos, flutuam a meio da manhã desta sexta-feira em torno de 3,2% no mercado secundário, dia em que a agência de notação canadiana DBRS anunciará a sua decisão sobre o rating da República Portuguesa. O comunicado da agência, se houver, será divulgado já depois do fecho dos mercados financeiros europeus.

Depois de terem fechado em 3,195%, um mínimo desde o início de setembro, em 19 de outubro, as yields das OT a 10 anos subiram ligeiramente após a conferência de imprensa de Mario Draghi em que este elogiou os “progressos notáveis” de Portugal, mas avisou que a decisão crítica estava nas mãos da agência de notação DBRS. Se esta cortar hoje o rating da dívida portuguesa de longo prazo para terreno especulativo, vulgo ‘lixo financeiro’, o Banco Central Europeu (BCE) deixará de comprar OT no mercado secundário e os bancos portugueses deixarão de usar os títulos públicos como colateral nas suas operações de financiamento.

O consenso entre os analistas aponta para a manutenção do rating de investimento da dívida portuguesa por parte da DBRS. O stresse desliza para abril do próximo ano, quando a agência voltará a analisar a notação. A expetativa é saber se a agência baixa esta sexta-feira a ‘tendência’ (o equivalente à ‘perspetiva’ nas outras três principais agências, S&P, Moody’s e Fitch) de estável para negativa, o que daria um mau sinal para a revisão daqui a seis meses.

IGCP deverá avançar com novo leilão de OT

O Commerzbank continua a achar que a DBRS baixará a ‘tendência’ para negativa em virtude do andamento da dívida (o rácio, de novo, próximo de 130% do PIB na previsão do governo para o fecho de 2016 e com uma projeção de descida para o limiar dos 60% apenas em 2046 ou em 2053) e do fraco crescimento (1,2% em 2016 e 1,5% em 2017, segundo o governo; 1% e 1,1% respetivamente, segundo as previsões mais pessimistas do Fundo Monetário Internacional).

Na nota que distribuiu hoje, o banco alemão avança, a partir de “informação privilegiada”, que a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) deverá, anunciar em breve, um novo leilão de OT, no quadro do seu programa de emissões para o último trimestre do ano.

O stresse sobre uma alegada alteração do rating da dívida portuguesa e as especulações sobre um eventual segundo resgate agitaram setembro e o início de outubro. A 7 de outubro, as yields das OT a 10 anos atingiram um máximo de oito meses fechando em 3,6%, depois de um mínimo de sete meses a 15 de agosto encerrando em 2,69%.

  • Passar no teste 'DBRS' dá alívio até abril

    O Ministério das Finanças garante que vamos ter boas notícias esta sexta-feira vindas da agência de rating canadiana. A trajetória de queda dos juros da dívida desde 7 de outubro no mercado secundário parece concordar com o otimismo. Se a DBRS deixar a notação na mesma dá uma folga de seis meses ao Governo

  • Progresso notável realizado em Portugal, diz Draghi

    O presidente do BCE referiu na conferência de imprensa desta quinta-feira que Portugal realizou progressos notáveis, mas que há reformas que continuam pendentes. Nomeadamente resolução do crédito mal parado da banca e dívida empresarial

  • O Banco Central Europeu decidiu adiar para a próxima reunião a 8 de dezembro decisões sobre o futuro do programa de quantitative easing (QE), mas "não está na ideia de ninguém" na equipa de Mario Draghi advogar uma paragem súbita em março de 2017 das compras de ativos