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DBRS mantém rating e perspetiva para Portugal

A DBRS manteve inalterado o rating de Portugal, acima do nível de 'lixo'. Também não mexeu na perspetiva, que permanece em 'estável'. Mas a agência avisa que Portugal enfrenta desafios importantes

A DBRS manteve o rating de Portugal acima do nível de 'lixo' e reafirmou também a perspetiva de 'estável' para a República, mas alerta que o país enfrenta desafios importantes.

No entanto, aquela agência canadiana avisa que o rating do país pode ficar em risco de sofrer uma revisão em baixa "se houver um enfraquecimento do compromisso com políticas económicas sustentáveis ou uma deterioração nas dinâmicas de dívida pública, em resultado de um crescimento marcadamente inferior ou um período prolongado de taxas de juro elevadas".

Segundo a DBRS, "Portugal enfrenta desafios importantes", nomeadamente o facto do rácio de dívida pública face ao Produto Interno Bruto (PIB) permanecer elevado - num nível estimado de 129,7% em 2016. As previsões apontam para uma descida meramente gradual.

Alerta ainda que são necessárias mais medidas de ajuste orçamental para colocar as dinâmicas da dívida pública numa trajectória descendente.

Em reacção à decisão da DBRS, o Ministério das Finanças refere, em comunicado, que a avaliação "aumenta a nossa confiança e a dos mercados nas políticas escolhidas para o país".

A decisão da agência canadiana de reafirmar o rating de 'BBB-(low)' para Portugal com perspetiva estável era largamente esperada nos mercados. A agência canadiana é a única, entre as consideradas pelo Banco Central Europeu, que mantém Portugal com um rating de 'investment grade'. Só assim Portugal continua a ter acesso ao programa de compra de ativos do BCE e os bancos portugueses conseguem aceder a financiamento junto do banco central.

As principais agências - S&P, Moody's e Fitch - atribuem a Portugal ratings ao nível de 'lixo' financeiro.

As razões da DBRS

A agência canadiana acredita que Portugal vai continuar a reduzir o seu défice público e este é um dos factores positivos apontado pela DBRS no seu relatório sobre Portugal divulgado esta sexta-feira.

"Portugal já atingiu uma redução substancial do seu défice orçamental desde 2011 e a DBRS espera que o governo continue a sua estratégia de consolidação orçamental nos próximos anos, em linha com os seus compromissos com o Pacto de Estabilidade e Crescimento da União Europeia", diz a agência.

Frisa que o rating atribuído a Portugal reflete o facto de ser membro da zona euro, bem como uma estrutura de maturidade de dívida pública favorável e uma balança corrente equilibrada.

"Portugal enfrenta desafios significativos, incluindo níveis elevados de dívida do setor público, crescimento potencial baixo, pressões orçamentais contínuas e um endividamento elevado do setor empresarial", alerta.

A perspetiva 'estável' reflecte, segundo a DBRS, "o progresso de Portugal em reduzir o défice orçamental e medidas proactivas de reforço do setor da banca".

Aponta que a execução orçamental até setembro deste ano parece estar em linha com o previsto, com o défice abaixo dos 3% do PIB em 2016.

No setor da banca, destaca que tem havido clarificações positivas, como o anúncio relativo ao aumento de capital da Caixa Geral de Depósitos e potencial reforço de capital de outros bancos, bem como maior visibilidade sobre as contribuições futuras da bancam para o Fundo de Resolução. "São passos encorajadores que melhoram a confiança no setor da banca", afirma a DBRS.