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Antigo economista chefe do BCE ataca 'geringonça'. “Portugal segue na direção errada”

Em entrevista à Bloomberg, o antigo economista chefe do Banco Central Europeu, Otmar Issing, critica opções do Governo socialista de António Costa

Otmar Issing: "Portugal não só tem desperdiçado tempo no que respeita à concretização das reformas necessárias, como tem seguido na direção errada desde que o novo governo tomou posse"

Otmar Issing: "Portugal não só tem desperdiçado tempo no que respeita à concretização das reformas necessárias, como tem seguido na direção errada desde que o novo governo tomou posse"

Getty

A pergunta do jornalista da Bloomberg foi simples e direta: Se a agência DBRS descer (hoje, sexta-feira) o rating de Portugal, até que ponto isso pode ser um problema grave para a UE e como deve a UE reagir? Na resposta, Otmar Issing não hesitou em dizer que o país, quando mudou de governo, optou por seguir "na direção errada".

Foram apenas duas frases sobre Portugal na entrevista de 8 minutos sobre questões europeias. Sempre num tom crítico, o economista expressou a sua opinião sobre Portugal, deixando, no entanto, de lado a resposta às questões relativas ao impacto europeu de uma eventual descida da nota da DBRS.

Este alemão que tem no currículo uma passagem pela administração do Deutsche Bank, foi economista chefe do Banco Central Europeu e preside, atualmente, ao Center for Finantial Studies não tem dúvidas de que na zona euro "Portugal é um caso que demonstra que todos os problemas não se limitam à política monetária e a ganhar algum tempo".

"Portugal não só tem desperdiçado tempo no que respeita à concretização das reformas necessárias, como tem seguido na direção errada desde que o novo governo tomou posse" e, agora, "paga o preço dessas políticas que contradizem aquilo de que o país precisa para se manter alinhado com a estabilidade da zona euro", afirmou.

Esta quinta-feira, o atual presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, numa breve análise da situação económica portuguesa deixou claro que no caso do rating da DBRS descer a dívida portuguesa deixaria de ser aceite como garantia, mas fez questão de declarar que apesar das vulnerabilidades existentes, é preciso reconhecer "os passos dados pelo país", declarando que Portugal tem feito "progressos significativos".

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