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Paragem súbita do QE não está na ideia do BCE

O Banco Central Europeu decidiu adiar para a próxima reunião a 8 de dezembro decisões sobre o futuro do programa de quantitative easing (QE), mas "não está na ideia de ninguém" na equipa de Mario Draghi advogar uma paragem súbita em março de 2017 das compras de ativos

Jorge Nascimento Rodrigues

Mario Draghi desmentiu esta quinta-feira os rumores de que o Banco Central Europeu (BCE) teria discutido a possibilidade de fazer uma paragem súbita do programa de compra de ativos, vulgo quantitative easing (QE), em março do próximo ano, ou que poderia inclusive decidir antecipar uma redução das compras mensais antes daquela data.

"Um fim abrupto do programa é improvável", começou por dizer Draghi, referindo a sua opinião, para, mais tarde, reforçar: "uma paragem súbita não é algo que as pessoas contemplem, não está na ideia de ninguém" na direção do BCE. O mais provável é que seja gradual uma redução posterior a uma decisão de terminar o QE, referem muitos analistas que consideraram sem fundamento o rumor que se difundiu no início de outubro de que um final abrupto e uma antecipação da redução poderia acontecer. Tratou-se de um "comentário aleatório" emitido por alguém que não tinha qualquer pista nem informação sobre o assunto, frisou Draghi.

Na conferência de imprensa realizada em Frankfurt depois da reunião de política monetária, que deixou tudo na mesma, o presidente do BCE afirmou que não foi discutida qualquer alteração do QE e que decisões sobre o seu andamento futuro estão agendadas para a próxima reunião a 8 de dezembro, com base no estudo que está a ser feito pelas diversas comissões do sistema do banco central e que será fornecido, então, à direção do banco central, que terá a "última palavra a dar". Na próxima reunião, a equipa de Draghi analisará, também, as novas previsões sobre crescimento e inflação. Recorde-se que, em setembro, a inflação na zona euro subiu para 0,4%, depois de ter estacionado em 0,2% em julho e agosto.

Em virtude do adiamento para dezembro, não foram discutidos ainda os pontos críticos em que os investidores têm estado ansiosos: a extensão do programa a partir de março de 2017 - o que desagradou, de imediato, aos investidores em algumas das principais bolsas europeias -, uma eventual redução do seu volume mensal (que continua em €80 mil milhões). ou alterações das regras que regem a elegibilidade das obrigações para aquisição pelo BCE no mercado secundário em virtude do risco de escassez de títulos, que tem sido apontado por diversos estudos.

O BCE continua na expetativa de ver o comportamento duradouro da inflação. A equipa de Draghi tem de ficar "convencida" que há uma "convergência durável" da inflação em direção à meta de próximo, mas abaixo de 2%. "Essa convergência deve ser autosustentada, sem as medidas extraordinárias de apoio que existem agora", concluiu o presidente do BCE.

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