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Portugal continua a financiar-se a 3 meses com taxas negativas

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O IGCP colocou hoje €1250 milhões de dívida de curto prazo através de dois leilões de Bilhetes do Tesouro a 3 e 11 meses. No prazo mais baixo registou uma taxa negativa de -0,012%. Pagou mais do que nas operações similares em julho e setembro, mas a procura foi superior

Jorge Nascimento Rodrigues

A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) regressou hoje ao mercado de emissão com dois leilões de dívida de curto prazo tendo colocado 1250 milhões de euros em Bilhetes do Tesouro (BT).

No prazo mais curto, a 3 meses, vencendo em janeiro de 2017, continuou a pagar uma taxa média ponderada negativa de -0,012%, ainda que acima da registada na emissão similar anterior de julho, quando pagou -0,03%. Na emissão a 11 meses, com vencimento em setembro de 2017, pagou uma taxa média positiva de 0,006%, quando na emissão similar de setembro tinha fixado uma taxa negativa de -0,014%. A procura foi superior nas duas emissões de 350 milhões de euros a 3 meses e 900 milhões de euros a 11 meses.

Em suma, pagou mais comparativamente às emissões anteriores de BT vencendo em janeiro e setembro de 2017, mas a procura foi, agora, superior: 3,4 vezes a colocação a 3 meses face a 1,9 em julho; e 1,9 vezes a 11 meses face a 1,6 em setembro.

Uma taxa de remuneração negativa, como é o caso a 3 meses, significa que os investidores 'pagam' para deter aqueles BT.

“Apesar das taxas terem subido ligeiramente face às últimas emissões de dívida, acho que foi um ‘non event’. Esta mexida vem a acompanhar a evolução que tem havido nas taxas da dívida europeia. Até a dívida alemão, a 10 anos, subiu de taxas negativas para taxas positivas. Não estávamos à espera nem se verificou qualquer stresse sobre a proximidade da decisão da DBRS em rever ou não o rating da dívida da República portuguesa. Aliás, se fosse caso para isso, a dívida que mais seria afetada seria a dívida de longo prazo que até tem visto as taxas descer”, afirmou Filipe Silva, responsável do mercado da dívida no Banco Carregosa.

A título comparativo, o Tesouro espanhol colocou ontem 405 milhões de euros em dívida a 3 meses pagando um juro médio negativo de -0,387%, inferior a -0,243% pago na emissão anterior similar. Ou seja, o Tesouro vizinho conseguiu que os investidores ‘pagassem’ ainda mais para deter a dívida espanhola a 3 meses. A 12 meses, o Tesouro espanhol pagou uma taxa negativa de -0,248% na colocação de 11 de outubro.