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Presidente da CGD vai receber mais de €30 mil por mês

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José Caria

Salário de António Domingues foi divulgado esta tarde pelo ministro das Finanças. Centeno diz que valor corresponde “à mediana dos salários pagos no sector” em Portugal

O novo presidente do conselho de administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD), António Domingues, vai receber um ordenado de 423 mil euros por ano. A informação foi avançada esta tarde na Comissão de Orçamento e Finanças pelo ministro das Finanças Mário Centeno, na sequência de uma série de perguntas feitas pelo deputado do PSD Duarte Pacheco sobre a recapitalização do banco público e do novo plano de negócio que está a ser implementado na Caixa.

Na resposta sobre os salários da nova administração, Mário Centeno esclareceu que foi cumprido o critério de que estes estivessem "enquadrados no contexto dos salários do sector", no sentido de "não influenciar o mercado no sentido de o inflacionar ou de estar fora do mercado", ficando "alinhado com a mediana do sector".

Nesse sentido, ficou estabelecido que o presidente receberá 423 mil euros anuais, os vogais executivos receberão 337 mil euros por ano e os vogais não executivos terão um vencimento de 49 mil euros anuais, sendo que neste último caso Centeno defende que o salário "até é mais baixo do que essa mediana" do sector bancário português.

Minutos depois, quando confrontado pela deputada Cecília Meireles, do CDS, sobre o facto de estes salários na CGD serem elevados - quase duplicando os salários do anterior presidente da CGD -, e estarem a ser pagos numa altura em que o sector bancário "está em crise" e em que já foi várias vezes intervencionado, Mário Centeno recorreu a um sketch antigo de Herman José para expor o seu ponto de vista: o Governo não podia correr o risco de pagar salários mais baixos a administradores que, depois de tomarem posse na CGD, confrontados com os problemas do banco, respondessem "eu é mais bolos".

O valor das remunerações do presidente do CA da CGD foi criticado por todos os partidos, com exceção do PS, tendo o BE e o PCP recordado que têm projetos para limitar salários dos gestores públicos ao valor atualmente recebido pelo Primeiro Ministro ou pelo Presidente da República.

Recapitalização avançará nos prazos previstos, diz Centeno

Durante a sua intervenção inicial, Duarte Pacheco questionou também Mário Centeno sobre o facto de a recapitalização da CGD ainda não ter avançado nem se saber ao certo o seu montante, apesar de o próprio ministro já a ter considerado urgente, e pediu um ponto de situação da auditoria independente que está prevista para a CGD, sugerindo que a mesma poderia não avançar.

Na resposta, Centeno reiterou que a auditoria e a recapitalização vão avançar nos moldes previstos e ironizou sobre a urgência do deputado do PSD.

"Acho muito estranho que agora fale em medo. O seu partido esteve quatro anos no Governo, estes factos factos remontam ao período anterior a lá ter estado e agora é que lhe deu a curiosidade de ver o que se estava a passar na CGD? Nós iniciámos agora todo o processo de identificação de activos da CGD ou de lançamento de auditoria. Vir falar de medo e insinuar coisas de forma despropositada face ao esforço que o governo e todo o país está a fazer na CGD, como se não quiséssemos resolver o problema, é algo que não consigo entender. Estas coisas não podem ser tratadas assim", criticou Centeno, garantindo que o processo de recapitalização da CGD "está a ser feito de forma absolutamente transparente" com todas as entidades europeias