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Bolsas animam-se com subida da inflação

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Depois das bolsas mundiais terem perdido 1,2% na semana passada e 0,3% na sessão de segunda-feira, o mercado inverteu esta terça-feira a trajetória vermelha. A inflação anual na zona euro e no Reino Unido subiu em setembro

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas da Ásia Pacífico fecharam esta terça-feira em terreno positivo, com os índices de Mumbai e Hong Kong a liderarem, registando subidas acima de 1,5%. As bolsas chinesas de Xangai e Shenzhen encerraram com ganhos de 1,4%. Em Tóquio, o índice Nikkei 225 subiu 0,4%, uma subida modesta, mas superior à de segunda-feira. Esta “região” fechou na segunda-feira com perdas muito ligeiras de 0,04%, segundo o índice MSCI respetivo, num quadro de quebra mundial de 0,34%.

A Europa está, também, animada, com o índice Eurostoxx 50 – das cinquenta principais cotadas da zona euro – a subir 1,3% pelas 11h (hora de Lisboa). A liderar as subidas no Velho Continente o índice MIB de Milão, com um ganho acima de 1,6%. As outras principais praças europeias estão com subidas acima de 1%. O índice PSI 20, de Lisboa, avança mais de 1%. As bolsas europeias perderam 0,86% na segunda-feira, segundo o índice MSCI respetivo.

Os futuros em Wall Street estão, também, em terreno positivo, o que indicia uma abertura de Nova Iorque com ganhos pelas 14h30 (hora de Portugal). As bolsas dos EUA recuaram 0,3% na sessão de ontem.

Inflação sobe em setembro

O sentimento favorável pode ser atribuído aos resultados da inflação para setembro. O Eurostat confirmou na segunda-feira que a inflação anual (homóloga) na zona euro em setembro foi de 0,4%, acima de 0,2% registado nos dois meses anteriores. Esta terça-feira, o Office for National Statistics britânico divulgou que a inflação para setembro no Reino Unido foi de 1%, acima das previsões de 0,8-0,9%, e claramente acima de 0,6% registado em julho e agosto. No Reino Unido, trata-se de um máximo desde novembro de 2014, desde há quase dois anos. O ponto mais baixo, no ciclo pós-crise financeira, registou-se em abril e outubro de 2015, com uma inflação negativa de -0,1%.

Os analistas esperam, também, que a previsão de uma subida da inflação em setembro nos Estados Unidos se confirme hoje pelas 13h30 (hora de Portugal). As previsões apontam para 1,3-1,5%, depois de uma subida de 0,8% em julho e de 1,1% em agosto.

Nas três principais economias desenvolvidas - EUA, Reino Unido e Zona Euro - que não registam deflação (Japão é a exceção com -0,4% em julho e -0,5% em agosto), a tendência é de reflação, de subida da taxa de variação homóloga dos preços no consumidor, ainda que, no caso da zona euro, continue a um nível extremamente baixo.

Este alívio diminui a pressão para mais estímulos monetários por via dos programas de compras de ativos (na zona euro e no Reino Unido) ou de descida ainda maior nas taxas negativas de remuneração de depósitos (na zona euro) e liberta a Reserva Federal norte-americana de constrangimentos de curto prazo para uma nova subida das taxas de juro. A probabilidade está em 69,5% para uma decisão de aumento na reunião de 14 de dezembro da equipa de Janet Yellen, segundo o mercado de futuros das taxas de juro da Fed, monitorizado pelo grupo CME.

À espera de sinais do BCE no dia 20

A semana ficará marcada pela reunião do Banco Central Europeu (BCE) na quinta-feira. Os analistas esperam, a 20 de outubro, sinais sobre a eventualidade de alteração das regras atuais dos tetos de compra de obrigações soberanas no mercado secundário (crucial para Portugal que poderá esgotar o montante elegível em fevereiro ou abril do próximo ano, segundo um estudo do BPI da semana passada) e sobre a extensão ou não do próprio programa de aquisições para além de março de 2017 e em que moldes (sobretudo no caso de se optar por uma redução mensal a partir do segundo trimestre do próximo ano).

Como recordava o Commerzbank, numa nota publicada na segunda-feira, o desvio negativo acumulado desde junho entre o montante efetivamente comprado pelo BCE no mercado secundário de toda a zona euro e o objetivo (derivado das regras) não tem parado de se ampliar.

Bancos começam a reagir a taxas negativas

A taxa de remuneração negativa dos depósitos pelo BCE (em -0,4% desde 16 de março) e o próprio programa de aquisição de ativos começa a ter impacto global negativo declarado pelos próprios bancos da zona euro, segundo o Bank Lending Survey (BLS) divulgado esta terça-feira pelo banco central da moeda única. O BLS baseia-se nas respostas de 141 bancos da zona euro inquiridos entre 12 e 27 de setembro.

“No que diz respeito ao impacto do programa alargado de compra de ativos (APP, no acrónimo em inglês) do BCE, os bancos têm usado a liquidez adicional relacionada com o APP para a concessão de empréstimos, para fins de refinanciamento e, em menor grau, para a compra de ativos. O impacto líquido da flexibilização do APP continuou a ser mais forte para os termos e condições que para os padrões de crédito. Ao mesmo tempo, os bancos da área do euro registaram um novo impacto negativo do APP na sua rentabilidade, devido ao efeito sobre a margem líquida de juros”, diz-se no BLS relativo a setembro.

E, mais adiante, refere que a taxa negativa de remuneração permanente de depósitos, “ao ter um impacto positivo nos volumes de crédito e um impacto negativo sobre as margens de empréstimos”, é avaliada pelos bancos inquiridos pelo BLS como “tendo um impacto global negativo na margem financeira dos bancos”.