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Este sobreiro, em regadio, deu a primeira cortiça aos oito anos

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Francisco Almeida Garrett plantou dois hectares de montado em regadio, em Avis

António Bernardo

Sem rega gota a gota, levaria 25 anos até à primeira extração. Corticeira Amorim patrocina a experiência

Francisco Nunes tem 45 anos e desde 1990 que descortiça sobreiros. Mais de 800 árvores por ano. Conhece-lhes bem as manhas e, por isso, é aplaudido pelos observadores quando, com uma facilidade notável, retira a casca a um dos sobreiros da Herdade do Conqueiro, mesmo ao lado da barragem do Maranhão, em Avis, com dois ou três golpes. A carcaça sai inteira. “É macia, é mais macia”, diz, quando lhe perguntamos se faz assim tanta diferença entre descortiçar um sobreiro tradicional, de sequeiro, ou um sobreiro como este, de regadio, em dois hectares únicos no país — e no mundo, acreditam os mentores deste projeto. Na verdade, este montado irrigado não podia ser mais diferente da paisagem de sequeiro, onde as árvores crescem espontaneamente, sem planeamento e organização aparente, a não ser aquela que a natureza dita. Ali, com a água do Maranhão à vista, a paisagem faz lembrar a dos novos olivais, como aquele que está mesmo ao lado: as árvores perfilam-se a régua e esquadro, em linha reta, acompanhadas por metros e metros de tubos, pelos quais é feita a rega gota a gota.

Foi Francisco Almeida Garrett, à frente da empresa familiar Rovisco Garcia, que produz vinho e azeite alentejanos, que se lembrou de fazer a experiência: em 2002, preparava-se para plantar oliveiras, em regime superintensivo, em 70 hectares e tendo uma pequena porção de terra mais marginal, decidiu plantar sobreiros de acordo com o mesmo sistema. Foi monitorizando o crescimento das árvores e, para seu espanto, ao fim de oito anos as cascas dos sobreiros já tinham a dimensão certa para serem retiradas. Em 2015, quatro anos depois da primeira extração, já havia árvores com cortiça prontas a serem novamente descortiçadas, o que pode tornar esta cultura muito mais aliciante para os produtores. Em condições normais, só à terceira extração é que a cortiça tem qualidade suficiente para integrar produtos de valor acrescentado, como as rolhas (até lá, serve apenas para aglomerado destinado, por exemplo, ao fabrico de pavimentos). Em condições normais, só por volta do 43º ano de vida é que o sobreiro começa a rentabilizar verdadeiramente o seu valor.

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