Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Dicas de poupança: os descontos na luz e no gás valem a pena?

  • 333

getty

Com a liberalização do mercado da eletricidade e do gás, os consumidores criaram a expectativa de que os preços iam baixar. Neste momento, há nas várias empresas descontos para todos os gostos: 3, 5, 10, 12, 20, 30 e até de 40%. Um consumidor menos atento pode achar alguns destes descontos interessantes - e alguns até são. O problema é descobrir sobre que valor incidem esses descontos

Pedro Andersson/SIC

No início do mercado “livre” da energia os descontos eram sobre as tarifas transitórias da EDP serviço Universal. Mas desde 2015, a obrigatoriedade da indexação deixou de existir. Portanto, neste momento todas as empresas podem pura e simplesmente fazer o preço que muito bem entenderem. Logo, um desconto de 10 ou 12% sobre valores mais altos pode parecer muito interessante, mas se comparado com o mercado regulado esse desconto não é “real”.

Vamos a um exemplo.

A Endesa estava a oferecer em setembro de 2016 um desconto de 12% sobre o total da fatura. Parece bom. A questão é que o desconto incide sobre os "preços Endesa" e isso está muito claro na página de internet da empresa. Até escrevem que o divulgam por uma questão de "transparência". E os preços Endesa são mais caros que no mercado regulado.

Nada disto é ilegal. Neste momento todas as empresas de eletricidade e gás podem fazer os preços que quiserem. O consumidor é que tem de estar atento para escolher a melhor opção.

Vamos a contas. No caso da Endesa, a potência contratada custa mais 9,5% do que no mercado regulado e a energia mais quase 7%. Portanto, o desconto de 12% desce logo para apenas 2,5 ou 5%. É bom na mesma, mas muito longe dos 2 dígitos anunciados se compararmos com o mercado regulado.

E se aderir a um tarifário sem débito direto e sem fatura digital, o desconto desce para 8%, o que quer dizer que fica a pagar praticamente o mesmo que no mercado regulado apesar do desconto anunciado de 12%.

Outro exemplo. Na Galp, o preço da potência contratada é mais caro quase 22% em relação à EDP Serviço Universal. Mas propõe descontos (sem ser em cartão de um hipermercado) de 30 e 25%. Ora, se os preços são mais caros 22% e oferecem um desconto de 25%, é fácil fazer a conta. O desconto real (se tiver só eletricidade) face à EDP "antiga" é de apenas 3%. Mas há mais. É que na Galp a energia é mais cara 1,6% que no mercado regulado e não tem desconto nenhum. Portanto o eventual desconto é ainda menor.

No caso da EDP comercial, pelo que verifiquei, fazem os descontos sobre os preços praticados no mercado regulado embora legalmente não precisem de o fazer. Portanto, o desconto em percentagem é mais "fraquinho" mas é real em relação ao mercado regulado. Pelo menos à data em que investiguei o assunto. Todos estes valores podem mudar a qualquer momento.

A maior parte das pequenas empresas fazem bons preços, mas têm o problema da credibilidade e do apoio ao clientes. Ainda é um entrave para alguns consumidores.

Há tantos tarifários que há com certeza um que é o melhor para si. Alguns compensam. Os descontos são tantos e tão diferentes que para um cliente podem ser bons, para outro podem não compensar. Tem de estar atento e fazer contas.

Portanto, a conclusão é simples. É verdade que com a soma de todos os descontos vale a pena sair da EDP antiga para as novas empresas, mas não se fie em percentagens de descontos. São uma ilusão. E está tudo dentro da lei.

Pode e deve usar os simuladores da ERSE e da DECO para saber qual é a empresa que lhe faz o melhor desconto "real" para os seus consumos. Pegue nas suas 12 faturas do ano passado, some tudo, divida por 12 e assim vai ter dados para uma simulação exata.

Em caso de dúvida, é simples. Basta olhar para a sua fatura da luz e do gás e ver o valor que está a pagar de potência contratada e de energia. É um valor do tipo "0,1634 €". Se os valores que a nova empresa lhe oferece são inferiores ao valor de "zero vírgula quatro dígitos" nas duas categorias vai de certeza poupar. Se o valor é maior, provavelmente não adianta mudar. É como comparar o preço dos combustíveis. Agora na eletricidade e no gás vai ser assim daqui para a frente.

Faça esta avaliação de 6 em 6 meses. Pode estar a gastar dinheiro a mais sem necessidade nenhuma.