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Novo terminal de Sines causa desconforto

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Nuno Botelho

A construção do Terminal 2 por chineses surpreendeu Sines, porque a operação de contentores está concessionada a Singapura

O anúncio de que serão grupos chineses a construir o prolongamento do cais de contentores — o Terminal 2 —, ao lado do Terminal XXI de Sines, caiu que nem uma bomba no porto alentejano, porque esta atividade foi concessionada em exclusivo ao operador PSA, de Singapura, que em 2015 investiu mais de €40 milhões na infraestrutura e agora se prepara para investir €100 milhões adicionais. Além de o projeto e obra do Terminal 2 não poder ser entregue por ajuste direto a chineses, a eventual entrada de um segundo operador da carga de contentores no porto de Sines implica a renegociação com a PSA, admitiram ao Expresso fontes do sector portuário local.

Contactados pelo Expresso, os Ministérios do Planeamento e das Infraestruturas e do Mar não fizeram comentários sobre as notícias relativas ao novo terminal que surgiram na sequência da visita do primeiro-ministro, António Costa, à China. Quanto à PSA, nunca comenta negociações, e o seu terminal em Sines reporta à estrutura de Antuérpia, que nos assuntos mais ‘sensíveis’ remete para a casa-mãe de Singapura e nunca faz declarações.

Recentemente, em 2015, a PSA expandiu de novo a área do Terminal XXI, elevando a sua capacidade instalada de 1,7 milhões para 2,5 milhões de TEU (a unidade padrão de um contentor com seis metros de comprimento), o que foi conseguido prolongando a frente de cais até aos 940 metros. A fase seguinte será um aumento do cais até aos 1150 metros, o que implicará investir mais €100 milhões.

Como a concessão da PSA vigora até 2029, um investimento adicional desta dimensão significa a renegociação do prazo da concessão, sendo óbvio que o porto de Sines beneficiaria com o investimento adicional da PSA e que os lucros da atividade aumentariam (as previsões da administração do porto de Sines apontam para um lucro de €18 milhões no final de 2016, contra os €17 milhões registados em 2015).

Automóveis da China

Mas a visita oficial de António Costa permitiu a assinatura de um memorando de entendimento entre a Aicep Global Parques, o China Development Bank e o Haitong Bank para desenvolvimento de uma plataforma logística na Zona Industrial e Logística de Sines (ZILS) destinada a grupos chineses que pretendem operar na União Europeia. Segundo fontes contactadas pelo Expresso em Macau, este projeto logístico está ancorado em empresas industriais do sector automóvel que têm fábricas na China.

O memorando tem uma validade de três anos e deverá integrar todos os investidores chineses interessados na plataforma de Sines, que terá o benefício de passar a ser servida por uma moderna linha ferroviária, eletrificada e com acesso mais rápido ao centro de Espanha.